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Devoção virtual

Frades celebram missa de olho no engajamento dos fiéis

“A turma quer fazer viva, apertar os corações. Vamos fazer um viva virtual, subindo também os joinhas”, convidou o guardião do Convento Frei Paulo Roberto Pereira, após a homilia

Publicado em 14 de Abril de 2020 às 21:29

Redação de A Gazeta

Publicado em 

14 abr 2020 às 21:29
Frei Paulo, à mesa, celebrou a missa no campinho do Convento durante a tarde.
Frei Paulo, à mesa, celebrou a missa no campinho do Convento durante a tarde. Crédito: Danilo Luca Ferreira Martins
De olho na repercussão das redes sociais e no engajamento dos fiéis, os frades franciscanos que estão à frente das celebrações da Festa da Penha comemoram cada curtida e cada comentário dos devotos durante a programação desta terça-feira (14), terceiro dia do evento.
“Aprendi que a Festa da Penha não é só virtual, é também interativa. A turma quer fazer viva, apertar os corações. Vamos fazer um viva virtual, subindo também os joinhas [o famoso like]. Subiu muito coração aí? Tá subindo o coração. É assim que funciona”, disse Frei Paulo Roberto Pereira, guardião do Convento, referindo-se à resposta dos internautas com os chamados emojis [figuras] para os vivas on-line à Nossa Senhora da Penha.
É o momento usado pelos fiéis para saudar a padroeira no Estado. “Frei Djalma está acompanhando. Quero ver então nas redes sociais a participação de todo mundo”, convidou Frei Paulo Roberto Pereira, guardião do Convento, no encerramento da missa iniciada às 15 horas, no campinho, fazendo uma espécie de balanço das curtidas.
Frei Paulo (à direita) acompanha engajamento de fiéis pelo celular do Frei Djalma.
Frei Paulo (à direita) acompanha engajamento de fiéis pelo celular do Frei Djalma. Crédito: Reprodução/YouTube

Alegria da visitação

Antes, na homilia, o guardião falou sobre a alegria da visitação, relembrando a passagem bíblica em que Maria, após receber o anúncio de que seria mãe de Jesus, vai à casa de Isabel e lhe conta a notícia.
"Maria sobe as montanhas e vai servir à sua prima Isabel, que também por graça de Deus está grávida, de São João Batista. É isto que recordamos, a alegria do serviço, da visita. Nem sempre temos uma visão positiva das visitas. De fato algumas são pesadas, carregadas de negatividade, portadoras de tristeza. A [boa] visita fecunda na chuva, gera flor e traz o fruto. É essa a visita que traz alegria. Por isso, Isabel pode dizer: ‘Bendito é o fruto do vosso ventre’. Celebramos na Festa da Penha a grande visita que Deus faz ao seu povo."
Frei Paulo Roberto Pereira - Guardião do Convento da Penha
Em sua palavra, o religioso também citou Maria Madalena, em dois momentos de sentimentos antagônicos após a crucificação de Cristo. “Aquela que tinha aprendido tantas coisas com o Senhor vai ao túmulo para render homenagens Àquele que tinha resgatado a sua vida. E Maria Madalena vai triste e chora. Quando chora, não enxerga com clareza. As lágrimas, muitas vezes, turvam nossos olhos. E ali no sepulcro há dois encontros. O primeiro é lacrimoso, choroso, parcial, desatento, incompleto. É o encontro de uma mulher que chora e de um improvável jardineiro [na verdade, o Cristo ressuscitado]. Mas há um segundo encontro, este sim afetuoso, pleno, não mais de uma mulher que chora com um improvável jardineiro, mas da discípula com seu mestre.”
O trecho bíblico, reforçou, é aplicável nos tempos de hoje a cada pessoa e mostra o peso do olhar, se positivo ou negativo, sobre a realidade do mundo. “Quando cultivamos com o Senhor a intimidade e a confiança, conseguimos enxergar melhor. Hoje os tempos parecem turvos, há muitas vozes, informações dissonantes, a insegurança nos paralisa. Mas, quando voltamos o nosso olhar e afinamos os nossos ouvidos, a voz do mestre resgata em nós a serenidade necessária.”

Tempos de pandemia

À noite, na missa das 19h30, no santuário, o tema foi retomado na homilia do Padre Rodrigo Costa, da Paróquia Sagrada Família, de Nova Rosa da Penha, Cariacica.
"Nesta pandemia do coronavírus, em que a realidade da morte está tão próxima de nós e a incerteza quanto ao futuro toma conta do nosso coração, somos convidados pelo Cristo ressuscitado a dar mais um passo em nossa fé, como ele convidou Maria Madalena, procurando não a morte, mas a vida, cultivando a alegria, servindo generosamente a quem precisa de nossa ajuda. Na certeza de que, nesses lugares, Ele mesmo virá ao nosso encontro, chamando-nos pelo nome e enxugando nossas lágrimas."
Padre Rodrigo Costa - Paróquia Sagrada Família, de Nova Rosa da Penha, Cariacica
O líder religioso conclamou os espectadores a romperem a casca do medo para experimentar os frutos da ressurreição. “Só aí passamos a assumir nossa vida e a enxergar o que acontece à nossa volta. Será que, neste momento especial que vivemos, não é esta a graça que devemos pedir e a atitude que devemos tomar? De aprender a olhar com os olhos do ressuscitado tudo aquilo que nos acontece? Verdade que somos pequenos e frágeis, nossa fé nem sempre é forte o suficiente, mas o Senhor não cessa de nos chamar a acolhê-lo. Se o acolhermos em nossa casa, a vida, a alegria, o amor e a esperança, que são frutos da sua ressurreição, nos darão força para caminhar. Abra então também a porta do seu coração, receba-o, como recebeu Isabel; seja sua testemunha, como anunciou Maria Madalena; sirva-o aqueles que mais precisam, como serviu nossa mãe Maria.”
Padre Rodrigo Costa falou aos fiéis na missa das 19h30.
Padre Rodrigo Costa falou aos fiéis na missa das 19h30. Crédito: Reprodução/Facebook

Frade com Covid-19 manda mensagem

Em recuperação depois de contrair o Covid-19, o Frei Alexandre Rohling, o Frei Xandão, de São Paulo, mandou uma mensagem em áudio para os devotos que acompanham a Festa da Penha 2020 durante o programa Salve Mãe das Alegrias na tarde desta terça-feira.
"Estamos em época de Festa da Penha, neste ano de forma diferente, sem a presença do público nas ruas. Mas com um belo trabalho da equipe de comunicação, a divulgação virtual também tem sido grande sucesso. Gostaria de agradecer à Nossa Senhora da Penha por interceder a Deus pelo meu processo de cura e também agradecer a tantas e tantas famílias de Vila Velha e várias partes do País que estão rezando pela minha recuperação."
Frei Alexandre Rohling - de São Paulo
Ele conta que passou por um processo muito difícil e esteve na última semana na UTI. “Tomei medicamentos muito fortes e, às vezes, achava até que não iria conseguir. Mas os médicos são muito carinhosos e muito atenciosos, verdadeiros irmãos no tratamento e no cuidado da gente. Estamos agora, depois de um tempo na UTI, morando no quarto, para fortalecer meu pulmão e quem sabe voltar para casa na semana que vem. Meu muito obrigado a todos”, destacou.
Acompanhe tudo sobre a Festa da Penha 2020 com formato inédito e virtual em agazeta.com.br/festadapenha.

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