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Crise na Saúde

Espera em unidades de pronto-atendimento chega a 17 horas

Vendedora relatou que, na semana passada buscou atendimento para o filho às 11h e só foi atendida de madrugada

Publicado em 24 de Abril de 2019 às 00:32

Publicado em 

24 abr 2019 às 00:32
Recepções lotadas de pacientes que esperam horas por uma consulta. Esse era o cenário que A GAZETA registrou, nesta terça (23), em unidades de pronto-atendimento da Grande Vitória.
A dinâmica nos locais era parecida: os pacientes passavam pela triagem que os classificava com níveis de urgência para atendimento, a partir daí, o paciente aguarda pela consulta. E é esse espera que se prolongou horas a fio.
No PA da Glória, em Vila Velha, uma vendedora que, por medo de represálias, não quis se identificar, afirmou que já chegou esperar 17 horas para que o filho fosse consultado.
“Na semana passada, eu cheguei na unidade às 11h com meu filho que estava passando mal. Peguei a senha e esperamos. Minha mãe chegou para ficar com ele e eu fui trabalhar. Encerrei meu expediente e voltei para unidade. Resultado? Saí de lá às 4h30 da madrugada”, relata a vendedora.
Depois de ter passado esse sufoco, ela diz que, mesmo estando com o filho passando mal, evita procurar o Pronto-Atendimento da Glória.
Ontem, quem também tomou um chá de cadeira no PA da Glória foi uma dona de casa que não quis divulgar o nome. O filho dela, uma criança de um ano, é quem precisava de médico.
“Cheguei às 11h30 e agora já passa das 15h e ainda não fui atendida. São mais de quatro horas esperando, sem uma previsão de quando meu filho vai ser consultado”, reclamou.
Na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Carapina, na Serra, o cenário de sufoco era semelhante ao de Vila Velha.
O eletricista Marcos Luis dos Santos levou a mãe, uma aposentada de 74 anos, para receber atendimento. Eles chegaram ao local 13h e às 16h30 não tinham sido consultados.
“Da última vez que estive na UPA, não tinha tanta gente e fui embora depois das 23h. Não acho que a situação vá melhorar”, opina o eletricista.
No pronto-atendimento da Enseada do Suá, em Vitória, a recepção também estava lotada e pacientes relataram que esperavam por consultadas há, pelo menos, duas horas.
SINDICATO DIZ QUE FALTA ESTRUTURA
O presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes), Otto Baptista, ressalta que a categoria não pode ser responsabilizada pelos problemas no atendimento nas unidades básicas e de emergência dos municípios. Ele aponta que a falta de estrutura e de condições de trabalho obriga muitos profissionais a deixar de prestar assistência.
“O problema maior das gestões municipais é que a saúde nunca foi prioridade. Empregam material de péssima qualidade, a estrutura é ruim e a segurança para o médico não existe. Há um sucateamento. O problema começa na atenção básica e, como reflexo, tem a superlotação nos PAs”, destaca. A situação, segundo Baptista, é de Norte a Sul do Estado, com menos gravidade em Vitória.
Em Cariacica, onde médicos não estavam cumprindo plantão, o presidente do Simes foi enfático: “O contrato é precarizado, a sobrecarga é grande, o médico não tem segurança, nem condições para trabalhar”.
ANÁLISE
SITUAÇÃO DETERIORADA
No Brasil, cerca de 70% dos brasileiros dependem exclusivamente do SUS, que tem problemas de gestão e falta de recursos financeiros. A situação da saúde pública no país está muito deteriorada por uma causa multifatorial, que envolve falta de recursos materiais e humano. Consequentemente haverá grandes filas e espera por consultas especializadas. A atenção primária é importantíssima, mas para que funcione de forma efetiva é preciso dar condições de trabalho aos profissionais de saúde e valorizar as pessoas que atuam na área.
Jurandir Marcondes Ribas Filho - Especialista em Cirurgia e gestão médica da Faculdade Evangélica Mackenzie Paraná
 
 

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