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Educação pública

Escola vira o jogo após mau resultado em Afonso Cláudio

Após desempenho ruim no Enem e no Ideb, escola se tornou a melhor no ensino fundamental

Publicado em 17 de Março de 2019 às 00:12

Sullivan Silva

Publicado em 

17 mar 2019 às 00:12
Mensagens de motivação aos alunos estão espalhadas pela escola em Afonso Cláudio Crédito: Marcelo Prest
Em 2010, a Escola Estadual José Roberto Christo, localizada no distrito de Piracema, no interior de Afonso Cláudio, teve o pior desempenho do Espírito Santo no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) também eram ruins. A situação mexeu com a comunidade escolar, que com empenho e dedicação deu a volta por cima, fazendo mudanças desde o ensino aos alunos mais novos. Hoje, é a instituição pública do Estado com a maior nota no Ideb no ensino fundamental.
“Com os resultados ruins, foi necessário reformular, rever, chamar a comunidade e os professores. Entramos todos em uma conversa para pautar realmente qual era a necessidade da nossa escola e o que precisávamos fazer para melhorar”, relembra a diretora Rosângela Braga Dutra.
Os alunos são filhos de agricultores que dependem do transporte escolar. Para chegar à instituição, o único caminho é a ES 485, que apesar de ser rodovia estadual é uma estrada de chão estreita com muitos morros e curvas sinuosas, que dificulta o acesso em dias de chuva. Por isso, as ações também foram pensadas para incentivar os estudantes a frequentar as aulas apesar da dificuldade no acesso e estimular a aprendizagem.
A escola atende a 240 alunos em dois turnos, manhã e tarde. Para provocar as mudanças no ensino médio e fundamental, houve empenho no planejamento, monitoramento individuais de metas de cada aluno em simulados e a promoção da autoconfiança para o desenvolvimento da criatividade. O ambiente também mudou: a instituição ganhou mensagens de incentivo aos alunos por toda parte.
Após as mudanças, a unidade atingiu a melhor nota do Ideb no Estado e passou a aprovar mais alunos que concluem o ensino médio em universidades públicas e privadas com bolsas.
Os recursos materiais da escola são poucos, a internet de conexão lenta não viabiliza trabalhos de pesquisas em grupo. Devido às dificuldades, os professores se empenham ainda mais na aplicação e apresentação dos conteúdos em classe, com criatividade na exposição de material. Professores recém- formados, que são ex-alunos da escola, também contribuem com novas metodologias de ensino.
“A nossa internet, o nosso recurso de trabalho não é muito forte. Por isso, o nosso recurso humano é o que sobressai. Os nossos professores são excelentes em pesquisa, em trabalho de motivação, em trabalho de conhecimento para os alunos. Fazem isso perfeitamente”, afirma a diretora.
Entre os projetos de destaque, a atenção para o desenvolvimento das habilidades de leitura e interpretação dos alunos, desde o primeiro ano do ensino fundamental. A aluna do 7º ano Ludmila de Cássia Pereira, 12, participa dessas atividades que são aplicadas em grupo e individualmente.
“Fui aprendendo muito a falar melhor, que eu tinha muita dificuldade, e também a escrita e a leitura. Tive que ler bastante para aprender a falar perfeitamente. Minha professora fez um projeto para ler e explicar. Aí comecei a gostar de ler e melhorei a aprendizagem bastante”, comemora a aluna, que sonha cursar Medicina.
ENSINO MÉDIO
Além do esforço para criar metodologias atraentes aos estudantes, houve mudança estrutural. Antes, as aulas do ensino médio aconteciam só no período da noite, e alunos estudavam depois de uma dia cansativo de trabalho na roça, o que prejudicava seu rendimento. Muitos chegavam cansados na sala de aula. Após o mau resultado do Enem 2010, tudo foi revisto com a participação dos pais. O ensino noturno foi encerrado e os alunos do ensino médio passaram a estudar de manhã.
PROFESSORES FAZEM ACOMPANHAMENTO VIA WHATSAPP
Na nova metodologia aplicada no ensino médio para melhorar o aprendizado dos alunos está o uso de aplicativos de mensagem, como o WhatsApp. Os professores da José Roberto Christo criam grupos e acompanham de perto a realização de atividades de casa e até o estudo para as avaliações.
“Os professores abrem os grupos com os alunos interessados. Mas primeiro tem um incentivo, uma reflexão sobre a importância da iniciativa e depois eles começam a interagir com troca de experiências, com encaminhamentos de aula, de conteúdos prévios”, disse a pedagoga Maria Aparecida Guimarães, que ressalta a importância da ferramenta.
O uso de grupos no WhatsApp ajuda os alunos na resolução de dúvidas diretamente com os professores. A escola trabalha com a premissa de que alunos motivados ajudam outros alunos, e essa motivação é levada a sério por cada professor que dedica seu tempo para ajudar os estudantes fora da escola.
Segundo os professores, os alunos se tornaram mais participativos no processo de aprendizagem com a ferramenta, já que o laboratório da escola está fechado pois a internet do local não atende à demanda de pesquisa necessária para as aulas.

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