Há muitas dúvidas que pairam sobre o assassinato da estudante Isabela Negri Cassani, de 15 anos. A investigação, marcada por polêmicas e desencontros de informações, foi iniciada há vinte anos, no dia em que o corpo da jovem foi localizado. Mas até hoje muitas perguntas não foram respondidas. Entre as muitas dúvidas, uma delas diz respeito ao tempo que a estudante levou para fazer o trajeto entre a sua casa, em Jardim da Penha, de onde saiu por volta das 20h30, até onde foi vista pela última vez, às 22h20, em um posto de combustível na Ilha de Santa Maria. Foram quase duas horas. Ao refazer o mesmo percurso a reportagem levou menos de meia hora.
Outra dúvida refere-se aos motivos que levaram a adolescente a saltar do ônibus nas imediações do Ginásio Álvares Cabral, em Bento Ferreira, onde na época acontecia um show. Por qual motivo ela não permaneceu no coletivo, uma vez que, mesmo com alguma alteração de percurso em função da interdição de trânsito do show, o ônibus seguiria para o Centro?
Há ainda questionamentos técnicos em relação ao que foi investigado. Não há registro, por exemplo, de que a polícia tenha refeito o percurso de Isabela, o que poderia ajudar a descobrir novas provas ou pessoas que com ela tenham tido algum contato. Se isso foi feito, não foi incluído no inquérito.
É o que José Lopes, delegado-chefe do Departamento Especializado em Homicídios e Proteção à Pessoa, tem feito nas últimas semanas que antecedem ao arquivamento do inquérito. "Tem que pegar as pessoas que trabalhavam no posto, lojas que fecharam, chamar as pessoas para depor depois de entrevista prévia”, detalhou José Lopes.
CAMINHOS TORTUOSOS
Além das muitas perguntas não respondidas, o inquérito foi marcado ainda por muitas investigações paralelas, muitas bem distantes do foco principal do caso. Uma delas apontava para crime passional. A jovem de 15 anos teria um namorado, que a teria matado para não ter o romance revelado, mas nada foi provado. Outra pista seguida foi o retrato falado de um homem que teria se encontrado com Isabela na Praia de Camburi. O homem nunca foi encontrado.
Um paciente do antigo Hospital Adauto Botelho, num momento de crise, confessou o crime, foi preso, fez exame de DNA, mas foi solto por falta de provas. Outros três suspeitos foram detidos em uma operação da PM, nos bairros Argolas, em Vila Velha, e Forte São João, em Vitória, e fizeram menção ao crime. Mais uma vez nada ficou provado.
Denúncias anônimas indicavam outras linhas de investigação, como um suspeito que aparece em uma fita de vídeo do sistema de TV de um posto de gasolina, localizado na Avenida Beira-Mar, onde a estudante pedia informações para chegar ao Centro de Vitória. O suspeito foi encontrado, e novamente não havia provas.
Também foram seguidas pistas de uma "testemunha-chave" que teria visto Isabela sendo forçada a entrar em um carro, na Ilha da Fumaça, em Vitória. Novamente, nada foi provado. Durante todo o tempo da investigação foram realizados 58 exames de DNA.
Foram testadas ainda várias pessoas que se encaixavam nas linhas de investigação levantadas pelo delegados, desde traficantes que denunciavam comparsas e que supostamente revelavam terem visto Isabela. Por fim, todos que já foram presos por estupro ou atentado ao pudor passaram a ser suspeitos. Mesmo assim, o assassinato da estudante continua impune, e a polícia sem pistas.
AS DÚVIDAS SOBRE O CRIME
- Onde exatamente Isabela embarcou?
- Ela realmente estava sozinha quando embarcou no ônibus? Conversou com alguém no coletivo?
- Por que desembarcou na altura do Álvares Cabral, já que ela seguia para o Centro? Ela queria se encontrar com a missionária e os amigos que estavam no show?
- Por que ela levou quase duas horas para fazer o trajeto?
- O que aconteceu com ela após deixar o posto de combustível?
- Como Isabela foi morta?
- A estudante foi jogada ainda viva na Baía de Vitória?
- Isabela encontrou com mais alguém após o ponto?
- Para quantas pessoas Isabela chegou a pedir informações?
- Nas imagens do posto ela aparece com uma bolsa no ombro. O que aconteceu com a bolsa?
AS MUITAS TEORIAS INVESTIGADAS
- Crime passional. A jovem, de 15 anos, teria um namorado, que a teria matado, mas nada foi provado.
- Ela teria sido vista em um quiosque, na Praia de Camburi, tomando água de coco com um homem. O retrato falado foi feito e o suspeito nunca foi encontrado.
- Um paciente do antigo Hospital Adauto Botelho, num momento de crise, confessou o crime, foi preso, fez exame de DNA, mas foi solto por falta de provas.
- Em Minas Gerais, um homem disse que "era apaixonado" por uma adolescente de 15 anos de Vitória, a quem ele perseguia. Um denunciante pensou ser ele o assassino e avisou à polícia, mas nada foi confirmado.
- Um homem atirou pedra em uma viatura da polícia e disse que teria assassinado Isabela. O teste de DNA não confirmou.
- Denúncias anônimas indicaram um suspeito que aparece em uma fita de vídeo do posto de gasolina, onde a estudante pedia informações para chegar ao Centro de Vitória. O suspeito foi encontrado, e novamente não havia provas.
- Uma "testemunha-chave" teria visto Isabela sendo forçada a entrar em um carro, na Ilha da Fumaça, em Vitória. Nada foi provado.
- Todos os que já foram registrados como pedófilos passaram a ser suspeitos e foi testado o DNA de todos, sem sucesso.