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Acusados de causar tragédias na BR 101 seguem em liberdade

Dois casos, juntos, tiveram 34 mortes. Ainda não há prazo para que eles se sentem no banco dos réus

Publicado em 13/06/2019 às 17h00
Imagem do grave acidente na BR 101, em Guarapari. Crédito: Gazeta Online
Imagem do grave acidente na BR 101, em Guarapari. Crédito: Gazeta Online

Dois anos depois dos maiores acidentes em rodovias federais do Estado - um com 23 mortos e outro com 11 - os apontados como responsáveis pelas tragédias na BR 101 não foram julgados. Segundo andamento dos processos na Justiça estadual, ainda nem há data para que eles se sentem no banco dos réus.

O acidente de Guarapari, que completa dois anos esse mês, envolveu um caminhão, uma ambulância, uma minivan, uma carreta que transportava um bloco de granito da empresa Jamarle e um ônibus da Águia Branca, que seguia de São Paulo para o Vitória com 30 passageiros e o motorista. A carreta invadiu a contramão e bateu no ônibus. Os outros dois veículos estavam logo atrás e também colidiram. O coletivo partiu ao meio e pegou fogo.

O motorista da carreta, Nadson Santos Silva, 30, foi uma das vítimas. Segundo a Polícia Civil, o exame toxicológico comprovou que ele usou cocaína e anfetamina, do tipo rebite, horas antes do acidente. Além disso, os freios e pneus do veículo estavam em más condições, e a carga tinha 11 toneladas a mais que o permitido.

Os irmãos Jacimar e Leocir Pretti, donos da Jamarle Transportes foram denunciados por participação, já que, como comprovaram escutas telefônicas, eles obrigavam os motoristas a mentir sobre o excesso de carga e pegar desvios para não passar na fiscalização.

Eles chegaram a ser presos um dia após o acidente, mas foram soltos em seguida. Jacimar e Leocir foram presos novamente em março de 2018, sob suspeita de atrapalhar as investigações. Quatro meses depois, a prisão foi convertida em domiciliar, com uso de tornozeleiras. No entanto, em setembro do ano passado, o Supremo Tribunal de Justiça concedeu liberdade provisória e eles estão soltos desde então, cumprindo medidas cautelares como proibição de sair à noite ou conversar com envolvidos no processo.

Data: 10/09/2017 - ES - Acidente grave com caminhão carregado de granito e micro-ônibus mata ao menos 11 pessoas do grupo folclórico de Domingos Martins  na BR 101, em Mimoso do Sul. Crédito: Reprodução TV Gazeta
Data: 10/09/2017 - ES - Acidente grave com caminhão carregado de granito e micro-ônibus mata ao menos 11 pessoas do grupo folclórico de Domingos Martins na BR 101, em Mimoso do Sul. Crédito: Reprodução TV Gazeta

Já no segundo acidente, que aconteceu em setembro de 2017, em Mimoso do Sulo motorista que conduzia a carreta que provocou a tragédia sobreviveu. Segundo a investigação, o ônibus onde um grupo de dança folclórica de Domingos Martins viajava foi atingido por uma carga de chapas de granito que, por estar mal amarrada, caiu do caminhão. O motorista do coletivo morreu na hora e veículo, sem controle, colidiu com um segundo caminhão (com carga de bebidas), o que ocasionou um incêndio.

Nesse caso, foram denunciados à Justiça o proprietário do caminhão, Marcelo José de Souza, e o motorista, Wesley Rainha Cardoso. A prisão preventiva de ambos chegou a ser pedida mas foi negada.

Atualmente, eles cumprem apenas medidas cautelares como avisar à Justiça em caso de viagem e comparecer quando forem intimado.

OUTRO LADO

O advogado Ludgero Liberato, que representa os irmãos Pretti, informou que após o acidente a Jamarle Transportes foi completamente paralisada. "Todos os funcionários foram demitidos e os empresários deixaram a atividade de transporte de rochas. Além disso, os caminhões foram bloqueados por decisão judicial e não podem ser vendidos. Em meio a dividas, ambos convivem com forte quadro depressivo e com sucessivos problemas de saúde. Mesmo assim, têm colaborado com a Justiça e cumprido rigorosamente suas decisões", disse por meio de nota. 

O advogado que defende Marcelo José de Souza e Wesley Rainha Cardoso foi contactado pelo Gazeta Online mas não atendeu às ligações. 

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