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Quebra-queixo: história do doce se mistura com a brasileira. Iguaria se popularizou com os escravizados. Vendas ainda resistem no território capixaba Fernando Madeira
Resgate histórico

Quebra-queixo: doce tradição atiça os ouvidos e o paladar capixaba

Iguaria começou a se popularizar no Nordeste brasileiro, mas ainda na época da Escravatura se espalhou pelo país e se tornou parte da gastronomia de diversos Estados, inclusive do Espírito Santo

Vinicius Zagoto

Repórter

Publicado em 05 de Novembro de 2022 às 10:11

Publicado em

05 nov 2022 às 10:11
Quebra-queixo: história do doce se mistura com a brasileira. Iguaria se popularizou com os escravizados. Vendas ainda resistem no território capixaba Crédito: Fernando Madeira
Uacataca Tinguilim, Uacataca Tinguilim. Esse é o som que, pelas ruas da Grande Vitória, chama a atenção dos ouvidos e anuncia uma tradição capixaba. A onomatopeia também é o nome dado ao círculo de metal usado pelos produtores na venda do conhecido doce quebra-queixo. 
Um dos produtores do doce no Espírito Santo é Renato Guimarães, de 40 anos. O morador de Nova Rosa da Penha II, em Cariacica, atua como carpinteiro nos dias de semana e produz o quebra-queixo nas noites de sexta, para vendê-lo aos fins de semana, em bairros de Vitória.
A força nos braços de Renato carrega uma história de trabalho, força, luta, amor e representatividade.
Levantamentos históricos não informam com precisão qual é exatamente a origem do doce, mas apontam que a tradição pode ter influência portuguesa, indígena e até ter sido inspirada em um prato muito comum na Angola, sendo trazida para o Brasil com os escravizados. O que se pode afirmar, de fato, é que o quebra-queixo se popularizou através da venda feita pelos escravizados no período de escravatura, explica o historiador Marcus Vinicius Sant'Ana.
"Existiam os escravizados de ganho, que vendiam doces. Foram os negros escravizados que popularizaram o doce através de sua venda nas ruas. A origem passa por essa dúvida da miscigenação, mas a gente pode fazer alguns apontamentos geográficos no sentido da sua popularização", conta.
Renato Guimarães Santana produz e vende quebra-queixo há mais de 20 anos
Renato Guimarães Santana produz e vende quebra-queixo há mais de 20 anos Crédito: Fernando Madeira
"Ele é, basicamente, feito de água e coco. Chega no Espírito Santo através dessa influência nordestina, até pela nossa proximidade com a Região Nordeste, e através também de escravizados que precisavam arranjar um modo de subsistência no período pós-escravidão", completa. Na Região Nordeste, a tradição tem diversos nomes: cocada assada, cocada de forno ou até pé de moleque gelado.
Existem relatos da presença do quebra-queixo no Espírito Santo desde o começo do século XX. "Está ligado a algo bem escasso, mas que se popularizou: vendedores com instrumentos metálicos, algo que se fixou bastante na memória. Quando a gente estuda a história de Vitória, a gente vê diversos ambulantes, vendedores de rua, que também eram negros e faziam vendas de doces, a própria Maria Saraiva, que hoje é nome de uma rua no Centro de Vitória", detalha.
Renato Guimarães Santana produz e vende quebra-queixo há mais de 20 anos
Renato Guimarães Santana produz e vende quebra-queixo há mais de 20 anos Crédito: Fernando Madeira
Pelo som do círculo metálico ou pelo sabor, o quebra-queixo marcou a cultura capixaba. "Existem doces com a receita parecida, até um pouco mais rebuscada, que mostra que o Espírito Santo tem uma tradição forte de doces originalmente capixabas a base de coco, que é o caso do Manuê, que acabou sumindo, e a queijadinha", finaliza.

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