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Dados da educação

ES tem a terceira maior nota no ensino médio do país, aponta Ideb 2021

Os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2021 e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2021 foram divulgados na manhã desta sexta-feira (16), pelo MEC

Publicado em 16 de Setembro de 2022 às 11:45

Redação de A Gazeta

Publicado em 

16 set 2022 às 11:45
Estudante do Ensino Fundamental de Linhares escreve carta para as crianças ucranianas
Estudante do Ensino Fundamental de Linhares  Crédito: Felipe Reis
O Espírito Santo alcançou a nota 4,5 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio, ficando em 3º lugar no Brasil, considerando escolas públicas e particulares. Os dados atuais foram divulgados na manhã desta sexta-feira (16) pelo Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e apurados em 2021.
Na divulgação do Ideb em 2020, com dados apurados em 2019, o Espírito Santo conquistou o primeiro lugar no país, com uma nota de 4,8. Ocorre que a última avaliação foi realizada durante o período pandêmico (2021), o que compromete a comparação com anos anteriores da avaliação.
"A comparação entre os resultados deve ser evitada", afirma Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE).

SÉRIES FINAIS: ES FICA COM A 12ª COLOCAÇÃO

Nas séries finais do ensino fundamental, que vão do 6º ao 9º ano, o Espírito Santo alcançou a nota 5, ficando na 12ª colocação entre os demais estados brasileiros.

ES FICA COM 7ª COLOCAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS

O Espírito Santo conquistou a 7ª colocação entre os Estados com a nota do Ideb das séries iniciais, que vão do 1º ao 5º ano, com nota 6.

MAIS DADOS DO IDEB

RESULTADOS DO ES IMPACTADOS PELA PANDEMIA

A professora doutora em Educação, Cleonara Schwartz, destaca que a falta de acesso à ferramentas tecnológicas afetou, sobretudo, a parcela da população que não tinha acesso a ferramentas tecnológicas dentro de casa ou que esse acesso demorou mais tempo para ser feito.
“Os adolescentes e jovens tiveram que lidar sozinhos com o ensino, mudando a rotina de estudo de uma hora para a outra. Nem todas as famílias estavam preparadas para essa mudança e nem mesmo tinham a oportunidade de ter um ambiente de estudo adequado em casa”, disse a Cleonara.
A professora explica ainda que, em dois anos de pandemia, as fragilidades dos estudantes foram passadas de um ano sem alcançarem o rendimento escolar necessário.
“Essa aprovação sem o aluno ter adquirido o conhecimento necessário, contribuiu para aumentar as fragilidades da educação. Além disso, tivemos muitas baixas, estudantes que estudaram, que saíram da escola”, salienta.
Apesar da queda no ranking, a especialista avalia que o Espírito Santo ainda conseguiu se manter em destaque nacional com a terceira colocação.
“Agora, sabemos que os problemas ocasionados pela pandemia não serão superados em um ano. Vão demorar. Para se resolverem, a Secretaria Estadual de Educação (Sedu), vai precisar lançar programas de apoio e suporte pedagógico, inclusive em parceria com as famílias. Os estudantes vão precisar ter uma jornada de estudo com um super diferencial para reparar essa perda educacional”, comentou.

COMO É FEITO O ESTUDO

O Inep aplicou o Saeb 2021 entre 8 de novembro e 10 de dezembro. Participaram as escolas públicas (com mais de 10 alunos) de 5º e 9º ano do ensino fundamental e de 3ª e 4ª série do ensino médio. Elas foram avaliadas em língua portuguesa e matemática. Essas mesmas etapas tiveram avaliação em formato amostral nas escolas privadas.
Também foram aplicadas provas de língua portuguesa e matemática para o 2º ano do ensino fundamental em uma amostra de escolas públicas e particulares. O Saeb avaliou, ainda, de forma amostral, as áreas de ciências humanas e ciências da natureza no 9º ano do ensino fundamental, em escolas públicas e particulares.
Nesta edição, a avaliação da educação infantil, que ocorreu em caráter piloto em 2019, foi amostral, por meio de questionários aplicados aos secretários municipais de Educação, diretores e professores dessa etapa.

EFEITOS DA COVID NA AVALIAÇÃO

De acordo com o Inep, embora o cálculo do indicador de 2021 siga a mesma metodologia proposta em 2007, os efeitos da pandemia precisam ser levados em conta nas interpretações dos dados, já que tiveram impacto nas atividades escolares em 2020 e 2021.
Um exemplo foi o crescimento das taxas de aprovação da rede pública entre 2020 e 2021, quando comparadas com o período pré-pandemia (2019). No ensino fundamental o percentual de aprovados no público, que passou de 91,7%, em 2019, aumentou para 98,4%, no primeiro ano da pandemia (2020). Em 2021, a taxa caiu para 96,3% (ainda 4,6 pontos percentuais acima do registrado em 2019).
Já no ensino médio público, a aprovação passou de 84,7%, em 2019, para 94,4% em 2020. O percentual foi reduzido para 89,8% em 2021.
Segundo o Inep, o aumento das taxas de aprovação está, provavelmente, relacionado a ajustes nos critérios de aprovação e à adoção do continuum curricular, já que essas estratégias foram recomendadas e adotadas por parte das escolas. Parte das redes de ensino, por exemplo, adotou a aprovação automática na pandemia, o que poderá refletir em Ideb com notas mais altas.
Outro ponto é que a porcentagem de alunos que fizeram a avaliação (Saeb) foi mais baixa em alguns estados, fornecendo dados pouco confiáveis.

Como o Ideb é calculado e por que resultado deste ano pode ser 'enganoso':

Em uma escala de 1 a 10, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) cruza duas informações:

>> Taxa de aprovação/fluxo escolar (a porcentagem de alunos que não repetiram de ano em uma escola ou rede de ensino);
>> Notas do Saeb, uma prova de português e de matemática feita por alunos do 2º, 5º e 9º ano do ensino fundamental e por estudantes do 3º do ensino médio. No caso do 9º ano, para uma amostra específica, houve também questões de ciências da natureza e ciências humanas. 

Só que, neste ano, esses dois “ingredientes” foram comprometidos, porque: 

>> Parte das redes de ensino adotou a aprovação automática na pandemia (e terá, portanto, um Ideb artificialmente mais alto).
>> Pela primeira vez, também por causa da Covid-19, a porcentagem de alunos que fizeram a avaliação (Saeb) foi muito mais baixa em alguns estados, fornecendo dados estatisticamente pouco confiáveis. Comparações e rankings não serão fiéis à realidade.

Correção

16/09/2022 - 3:23
O Espírito Santo conquistou a 7ª colocação entre os Estados com a nota do Ideb das séries iniciais, que vão do 1º ao 5º ano — e não a sexta posição, como foi publicado inicialmente. O texto foi corrigido.
ES tem a terceira maior nota no ensino médio do país, aponta Ideb 2021
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