Ovos, leite, queijos e verduras. Todos esses produtos são frutos do trabalho de detentas do regime semiaberto que atuam na Fazenda Santa Casa, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, por meio do Projeto Cuidar de Vidas, e a produção é destinada à alimentação do Hospital Santa Casa de Misericórdia do município e de um lar de idosos.
O objetivo do projeto de ressocialização é trazer esperança de um novo futuro para as detentas e evitar a reincidência ao sistema prisional. “Elas se humanizam um pouco mais, tem uma visão do que podem fazer, mudar e sair com outra cabeça para voltar para a sociedade. A preocupação do projeto é a ressocialização, fazer com que elas pensem diferente de quando chegaram ao presídio”, explicou o administrador da fazenda, Sergio Mariano.
A detenta Amanda de Oliveira cumpre pena há oito anos, mas há um ano e seis meses descobriu um novo mundo. “Está sendo muito importante para mim o conhecimento que estou ganhando aqui, as experiências”, contou, em entrevista à repórter Alice Sousa, da TV Gazeta Sul.
Para participar do projeto, as internas precisam estar no regime semiaberto e ter um bom comportamento. Ao todo, seis mulheres trabalham na manutenção da fazenda. A detenta Gabriela Sipriano é uma delas e sente orgulho do trabalho que elas fazem.
"É uma experiência nova, sou leiteira, mas também faço um pouquinho de cada coisa. Para gente é um orgulho, por que vamos aprendendo, crescendo"
Na fazenda, em Monte Líbano, já passaram pelo projeto 31 detentas. “Três dias trabalhados é um dia a menos na pena. O projeto é uma parceria com a Secretaria de Justiça e o objetivo é a ressocialização, através da educação e do trabalho. Depois daqui, elas me ligam e contam que estão fazendo faculdade, trabalhando em outros lugares”, conta com orgulho a diretora do Centro Prisional Feminino, Leida Ayres.
Além de desenvolverem trabalho, as internas também conseguem ajuda de custo no valor de um salário mínimo. Uma parte vai para o Estado, que utiliza o recurso para melhorias nos presídios, outra vai para familiares, uma terceira é destinada para gastos com saídas temporárias e a quarta é concedida ao final da sentença.