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Todo dia um milagre

Covid antecipa parto de enfermeira, mas mãe e filho se recuperam

Mesmo com  toda a precaução, Rafaela Rangel foi contaminada e teve que fazer cesárea com 36 semanas de gestação

Publicado em 07 de Agosto de 2020 às 06:00

Redação de A Gazeta

Publicado em 

07 ago 2020 às 06:00
Todo dia um milagre: Rafaela Rangel
Rafaela e o filho Levi quando ele completou um mês, já em casa Crédito: Acervo pessoal/Arte Geraldo Neto
Todos os preparativos para a chegada do Levi foram apressados na reta final da gestação da enfermeira Rafaela Rangel, de 29 anos. Diagnosticada com a Covid-19 quando estava com 36 semanas da gravidez, o parto teve que ser antecipado para garantir que mãe e filho ficassem bem. O bebê ainda precisou de alguns dias na terapia intensiva, mas os dois já estão recuperados. 
Rafaela conta que estava trabalhando de casa, justamente pelo risco de se infectar durante a gravidez, e saía apenas para as consultas médicas. "Na rua, ficava de máscara o tempo todo, adotando todos os cuidados necessários. Estava obcecada e, ainda assim, acabei contraindo."
A enfermeira lembra que foram duas semanas com uma febre baixa que passava com medicação. Até que um dia a temperatura subiu muito, e ela foi levada para o hospital. Na unidade, optaram por internar Rafaela para que ficasse em observação. A princípio, não tinha os sintomas mais graves da Covid, mas depois apresentou um quadro de falta de ar e a pressão arterial ficou elevada. 
Foi uma série de complicadores, afirma Rafaela, que fizeram a equipe médica interromper a gestação. Antes de 37 semanas, o parto é considerado prematuro. Faltava pouco para que Levi chegasse no "tempo certo", porém o risco seria maior para mãe e filho se aguardassem mais dias para que a enfermeira desse à luz. 

TEMPO CERTO

Na hora da cesárea, o pano azul que costuma ser colocado acima da barriga da gestante foi substituído por um transparente. Assim, Rafaela pôde acompanhar o nascimento de Levi, para compensar o fato de que não poderia cheirá-lo - estava sem olfato - ou mesmo tocá-lo. O bebê foi levado para a Unidade de  Terapia Intensiva Neonatal (Utin), onde permaneceu por quatro dias. Nesse período, a enfermeira também não podia amamentar o filho. 
"Isso foi muito triste. Fazíamos videochamadas com os médicos para poder vê-lo. Depois, quando tivemos nosso reencontro, foi emocionante"
Rafaela Rangel - Enfermeira e mãe do Levi
Mãe de primeira viagem, Rafaela diz que, apesar de nada ter saído como o planejado em função da Covid-19, o sentimento que tem é de gratidão, tanto por ter se recuperado, quanto pela saúde do filho. "Foi uma fase muito difícil e, com certeza, se não fosse Deus em nossas vidas, não teria como contar essa história", admite.
A enfermeira, agora, curte as delícias e dificuldades dos cuidados com um recém-nascido. No último dia 8, Levi completou um mês e, como não poderia ser diferente, ganhou uma festinha entre muitas que Rafaela planeja para a vida do filho. 

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