O ano de 2020 foi marcado pela pandemia da Covid-19, período onde muitas pessoas viram entes queridos perderem a vida. Enquanto o coronavírus amedrontava o mundo e dizimava lares, uma família do Morro do Cabral, no Centro de Vitória, também se viu forçada a conviver com uma perda irreparável por outra doença também devastadora: um câncer.
De uma hora para outra, os cinco irmãos, todos à época crianças ou adolescentes, ficaram órfãos do pilar da família: Aline Gonçalves de Oliveira.
Sem alternativa após a morte da mãe, Aline Gonçalves de Oliveira, e residindo em uma casa de apenas um cômodo, Ricardo, Rodrigo, Robson, Rhiana e Alice Valentina Berto tiveram de procurar trabalho, porém não ficaram desamparados. Todos foram abraçados pela comunidade onde nasceram e cresceram, começando ali uma reconstrução e um novo capítulo na vida deles.
O mais velho deles, Ricardo, de 19 anos, contou como foi difícil a perda da mãe, ainda na adolescência. "Ela era nossa base, nosso pilar. Por conta disso, tive que procurar emprego ainda novo e fiquei sem estudar por um tempo", disse o jovem.
Mesmo sem a presença física da mãe, os irmãos nunca ficaram sozinhos. Os vizinhos sempre os ajudaram da maneira que podiam. A responsável pelo Instituto Serenata D'Favela, Luciene Pratti, disse como os moradores se relacionam na comunidade.
"As mães têm esse jeito de cuidar, seja da família ou dos vizinhos. Quando uma mãe falece, esse carinho passa a ser de quem está perto", disse Luciene Pratti.
Ao ver a situação da família, este o instituto coordenado por Luciene decidiu procurar moradores da região, voluntários e profissionais para construírem um novo lar aos irmãos. O imóvel, que contava apenas com um cômodo, agora tem três quartos, banheiro e cozinha, além de móveis e eletrodomésticos que foram doados.
E para contemplar este novo momento de recomeço, a nova moradia conta com um verdadeiro cartão-postal, com uma das mais bela vista da Capital capixaba
"Nós precisávamos disso. Não sei explicar o tamanho da minha emoção. A ficha ainda não caiu", contou Ricardo.
Sem cobrança
Uma das empresas que participaram da reforma abriu mão de receber pela execução da obra. O engenheiro Hugo Sanches contou que, caso o serviço fosse precificado, os valores se aproximariam dos R$ 140 mil.
"Quando a ONG Serenata da Favela nos buscou para entrar nessa parceria, acabou alinhando com nossos objetivos. A gente abraçou assim de imediato e encaminhamos esse projeto para reformar a casa dessa família que é tão linda", disse o engenheiro.
Outro voluntário foi o Luciano Duarte, que se colocou a disposição da família para resolver qualquer problema que aparecesse na obra.
"Nem horário para começar e nem horário para terminar. A gente tinha a missão. O que precisa fazer? Vamos fazer o que tem que ser feito. Não tinha essa de: 'ah eu não sei, não posso'. É fazer! Eu conheci o o motivo e abracei", contou ele.
Emoção em família
Com a finalização da reforma, os irmãos puderam entrar no novo lar. Sob aplausos das pessoas que participaram da execução, a família se emocionou. "Agora eles têm um lar de verdade, onde eles vão ter prazer de voltar para casa", complementou.
Ricardo contou os próximos planos de vida com a chegada da casa nova. "Sonho agora em ser modelo. Tenho um hobby também, que é escrever música e ser cantor nessa vida louca. Focar no estudo e escrever também", finalizou Ricardo.
*Com informações do repórter João Brito, da TV Gazeta