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Vida de protesto

Viola Davis diz se arrepender de filme 'Histórias Cruzadas'

Ela foi capa da revista Vanity Fair na edição de julho

Publicado em 17 de Julho de 2020 às 07:55

Redação de A Gazeta

Publicado em 

17 jul 2020 às 07:55
A atriz Viola Davis em cena do filme
A atriz Viola Davis em cena do filme "Histórias Cruzadas" Crédito: Dreamworks Pictures/Kobal/REX/Sh
A atriz Viola Davis, que completará 55 anos no próximo mês, afirmou em entrevista à revista Vanity Fair que sente como se toda sua vida fosse um protesto. Primeira mulher negra a ganhar um Emmy como atriz principal em um drama com a série "How to Get Away With Murder", ela é a capa da publicação neste mês.
"Sinto como se toda a minha vida fosse um protesto. Minha produtora é meu protesto. Eu não usando peruca no Oscar de 2012 foi meu protesto. É uma parte da minha voz, assim como me apresentar a você e dizer: Olá, meu nome é Viola Davis'", afirma a atriz.
Davis falou um pouco de sua história difícil à publicação, chegando a revelar que muitas vezes ia para a escola com fome e sem tomar banho. Segundo ela, que é a quinta de seis filhos, porque nem sempre havia dinheiro para água, sabão e café da manhã. Ela diz acreditar, porém, que é daí que vem a força do seu trabalho.
"Quando eu era mais jovem, não exercia minha voz, porque não me sentia digna de ter uma voz", afirma ela, que diz ter mudado esse pensamento graças à muito carinho de sua mãe e suas irmãs. "Não encontrei meu valor sozinha."
Apesar da força mostrada em seu trabalho, tendo conquistado um Emmy e um Oscar, esse último conquistado em 2017, de atriz coadjuvante pelo filme "Um Limite Entre Nós", Davis afirma ter alguns arrependimentos, como sua participação em "Histórias Cruzadas", que lhe rendeu uma indicação em 2012.
"Poucas narrativas investem na nossa humanidade", diz Davis. "Eles investiram na ideia do que significa ser negro, mas está atendendo ao público branco (...) Uma parte de mim que sente como se tivesse me traído e ao meu povo, por fazer um filme criado o filtro e na fossa do racismo sistêmico."

POR TRÁS DA CÂMERA

Viola Davis na capa da Vanity Fair foi importante também para o fotógrafo que fez suas imagens. Dario Calmese foi o primeiro fotógrafo negro a fotografar a capa da revista em seus 37 anos de história. "Eu sabia que era uma oportunidade de dizer algo (...) É a minha própria forma de protesto", disse ele à revista Insider.
"Eu sabia que essa capa tinha que ser descaradamente preta. Descaradamente eu e minha história, descaradamente Viola e sua história", afirmou ele, que afirma ter se inspirado no retrado "The Scourged Back", de 1863, e que mostrava um escravo fugitivo chamado Gordon depois de encontrar refúgio.

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