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Combate ao racismo

Brasileiros não têm vergonha da escravidão porque foi romantizada, diz Taís Araujo

Para a atriz, a cena da morte de Floyd, um homem negro que é sufocado por um policial branco, parece ter sensibilizado uma boa parcela da sociedade

Publicado em 17 de Junho de 2020 às 18:38

Redação de A Gazeta

Publicado em 

17 jun 2020 às 18:38
Taís Araujo será Vitória em
A atriz Taís Araujo, 41 é ativista na luta contra o racismo  Crédito: João Cotta/Globo
A atriz Taís Araujo, 41, disse que os movimentos e protestos antirracistas que surgiram após o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos e se espalharam pelo mundo, inclusive no Brasil, são muito importantes, mas ainda não é possível saber se eles vão gerar de fato mudanças na sociedade.
Para ela, a cena chocante da morte de Floyd, um homem negro que é sufocado por um policial branco, parece ter sensibilizado uma boa parcela da sociedade, que se mostra "disposta a lutar para acabar com a situação de vulnerabilidade e de violência que existe contra a população negra". "Porque acho que o desejo de todo o mundo que viu a cena era falar: 'Sai de cima desse homem, cara, deixa o cara respirar, pelo amor de Deus, o cara está pedindo para respirar'".
A atriz acrescentou que é muito bom ter aliados no combate ao racismo e que é fundamental também que os brasileiros tenham entendimento e esclarecimento sobre a verdadeira história do Brasil, que "romantizou o que foi bárbaro". "Romantizaram a nossa história a ponto de a gente não ter vergonha da escravidão no Brasil. Somos um país que não tem vergonha da nossa história de tantos anos de escravidão, de tanto sangue derramado, tantas famílias dizimadas. É muito louco como isso foi contado para gente", afirmou.
Em conversa com jornalistas na tarde desta quarta-feira (17), Taís contou que ela e o marido, o ator Lázaro Ramos, conversam sobre como a peça "O Topo da Montanha", encenada por eles, se ressignifica e ganha ainda mais relevância conforme o tempo passa. "E não é um sinal bom não, é um sinal de que as coisas estão piorando muito". A montagem reinventa o último dia de vida do ativista político americano Martin Luther King (1929-1968), que morreu assassinado na sacada de um hotel em Memphis, no Tennessee.
A mesma percepção, segundo ela, vale para "Aruanas", série da Globoplay que é exibida atualmente na Globo, e que fala sobre um grupo de ativistas que lutam pela preservação do meio ambiente. "Como o mundo tem piorado muito, essas narrativas de temas relevantes, elas vão se ressignificando também. E isso é bem triste", afirma.
Segundo a atriz, o governo atual não faz nada pela preservação da natureza. "Não tem cuidado, tem arbitrariedade, tem desmando. O que é uma pena, porque diz respeito a vida deles [dos governantes], dos filhos deles, da continuidade dos filhos deles, e das famílias deles também. É isso que é de difícil compreensão. [A preservação do meio ambiente] Não diz respeito a minha família, a sua família, diz respeito a família de todos nós", concluiu.
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