Alvo recente de discussões políticas, o educador Paulo Freire (1921-1997) deixou legado inegável na educação. Indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 1993 e terceiro teórico mais citado em trabalhos acadêmicos no mundo, sua trajetória é contada no espetáculo “Paulo Freire, O Andarilho da Utopia”, que será apresentado de 28 a 31 de março no palco do Palácio Sônia Cabral, no centro de Vitória.
O ato “cenopoético” une várias linguagens como circo, teatro, teatro de rua e poesia – ele é uma produção do Grupo Off-Sina, da companhia de Circo Teatro de Rua, e da Escola Livre de Palhaço, do Rio de Janeiro. A obra, que faz sua estreia nacional em Vitória, marca também a comemoração dos 40 anos de carreira do ator e palhaço Richard Riguetti, fundador do grupo.
“Eu e o Luiz Antônio Rocha, diretor da peça, fizemos esse projeto há cinco anos, mas devido à agenda só foi possível viabilizar agora. Vou completar 40 anos de carreira, trabalhei com teatro de rua há 30 anos e decidimos voltar ao teatro. Paulo Freire é um símbolo, uma figura emblemática para os dias de hoje”, diz Richard, em entrevista ao C2.
O ato costura entrevistas, pensamentos e momentos significativos da vida do educador pernambucano, sempre com foco no aspecto humano da figura brasileira reconhecida internacionalmente. Em um momento em que o legado de Paulo Freire gera controvérsias, é importante conhecer a fundo a história até mesmo para discordar.
“O teatro volta a ser o local das grandes discussões temáticas da humanidade e do Brasil. Nós estamos oferecendo possibilidades amorosas de diálogo, de respeito ao próximo, dessa perspectiva de se colocar no lugar do outro“, ter o máximo de respeito de pelo próximo”, conta.
40 ANOS DE TEATRO
São 40 anos atuando no teatro, e 30 atuando no teatro de rua. Conhecido também como palhaço Café Pequeno, ele traz sua experiência para o palco tantos anos depois. “Acho que o palhaço entra pelos olhos do Paulo. Ele sempre se manteve um menino com sua curiosidade imensa de conhecer o próximo, conhecer o mundo, do saber, do conhecimento e de sempre aprender. Ele tinha esse olhar de menino que manteve até os 75 anos”, destaca Richard.
O ator integrou o elenco da premiada peça “Rasga Coração” com Ary Fontoura, Lucélia Santos, Guilherme Karam, Vera Holtz e Raul Cortez nos anos 1970. O espetáculo, proibido pela censura, se tornou símbolo de luta.
Para Richard, que vivenciou diferentes épocas do teatro, a arte vive agora uma nova fase, um momento especial e rico que o fez decidir retornar aos palcos.
“Na ditadura, o teatro atraiu um tipo de público que buscava alimento para se reorganizar no seu cotidiano e encontrar subsídio para a transformação. Depois da abertura para democracia, ele passa a ser mais entretenimento, uma tendência mundial”, diz.
O ator decidiu expandir suas atividades para fora do teatro em 1987 quando viu uma matéria no “Jornal do Brasil” que trazia uma pesquisa dizendo que apenas 3% da população ia ao teatro.
“Eu percebi que tinha 97% do lado de fora. Hoje eu me considero um artista público, que não faz distinção de seus espectadores, que trabalha com pessoas. Dentro do teatro você tem a bilheteria, que já é um processo de seleção socioeconômica. A rua me possibilita um aprendizado eterno”, explica.
Na passagem por Vitória, Richard e Luiz Antônio Rocha também vão ministrar a oficina de teatro “De Professor e Palhaço Todo Mundo Tem um Pouco”, no dia 30, também no Palácio Sonia Cabral.
SERVIÇO
Paulo Freire, o Andarilho da Utopia
Quando: 28, 29 e 30 de março, às 20h, e 31 de março, às 19h.
Onde: Palácio Sônia Cabral. Praça João Clímaco, s/n, Centro, Vitória. Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Ingressos à venda no www.sympla.com.br ou na portaria do Palácio Sônia Cabral
Informações: 3636-7100
Oficina de teatro “De Professor e Palhaço Todo Mundo Tem um Pouco”
Quando: 30 de março, às 14h, no Palácio Sônia Cabral.
Inscrições: [email protected].