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Série

'O Mecanismo' reconta a Lava Jato em formato de série policial

Disponível desde sexta-feira na Netflix, série criada por José Padilha mostra a corrupção brasileira para o mundo

Publicado em 23 de Março de 2018 às 21:36

Redação de A Gazeta

Publicado em 

23 mar 2018 às 21:36
Selton Mello vive o delegado Marco Ruffo em "O Mecanismo" Crédito: Pedro Saad/Netflix
Durante a festa de lançamento de “O Mecanismo”, Selton Mello, Caroline Abras e Enrique Diaz a todo momento ressaltavam que a série de José Padilha (“Topa de Elite”, “Narcos”) é uma ficção. De fato, a história disponibilizada na Netflix desde sexta-feira não é um retrato fiel do que aconteceu desde o início da operação Lava Jato, mas ainda assim acerta muito mais do que o infeliz “Polícia Federal”, lançado no ano passado.
A série tem início em 2003, quando a Polícia Federal fecha o cerca ao doleiro Roberto Ibrahim (Enrique Diaz) – não é necessário muito esforço para perceber que se trata da versão ficcionalizada de Alberto Youssef. Amigo de infância do doleiro, o policial Marco Ruffo (Selton Mello) comanda a operação e se revolta quando Ibrahim faz um acordo com o Ministério Público Federal – uma história protagonizada, na vida real, pelo delegado Gerson Machado.
Acompanhamos a trama com a narração em off que, mesmo obviamente não inventada por Padilha (como reforça a todo momento), marca o trabalho do diretor. O foco e a narração mudam de Ruffo para Verena (Carol Abras), sua pupila, de acordo com a etapa da investigação. Um recurso que funciona bem mesmo que os dois compartilhem de visões parecidas.
NARRATIVA
Para nós, brasileiros, que conhecemos tanto o funcionamento do Judiciário quanto o do “mecanismo” que dá título à série, os primeiros episódios pecam pelo didatismo. Deve-se levar em conta, porém, que a série está disponível em 190 países, ou seja, uma contextualização básica é necessária.
Caroline Abras é a detetive Verena Cadroni Crédito: Pedro Saad/Netflix
A partir do quarto episódio, no entanto, a série acelera até chegar ao ponto de corte escolhido por Padilha e pela roteirista Elena Soares para o fim da primeira temporada.
O resultado final é irregular, mas satisfatório. Os personagens são bem desenvolvidos e até complexos – como o Ibrahim de Enrique Diaz, o mais carismático deles.
Pesa contra a série a dúvida que ela coloca na cabeça no espectador: o que delimita, no caso, o real da ficção? A troca dos nomes de maneira a deixá-los reconhecíveis é péssima (Marcelo Odebrecht, por exemplo, vira Ricardo Brecht), assim como a representação caricata de algumas figuras mais famosas (sem spoilers).
Ainda assim, a Lava Jato de José Padilha é um retrato da operação do tal mecanismo na política brasileira. A série e seus produtores ressaltam sempre que podem: “não é este ou aquele partido. São todos”. Resta saber como o público brasileiro vai comprar essa ideia, mas a vida de “O Mecanismo” deve ser mais fácil mundo afora – a marca do cineasta já é forte o suficiente para despertar interesse internacional.

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