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Luto

Francisco Brennand, artista plástico pernambucano, morre aos 92 anos

O governo estadual de Pernambuco anunciou, via redes sociais, que decretará luto oficial de três dias em homenagem ao artista
Redação de A Gazeta

Publicado em 

19 dez 2019 às 16:37

Publicado em 19 de Dezembro de 2019 às 16:37

Brennand em foto do dia do lançamento do Instituto Oficina Cerâmica Francisco Brennand, em 2019 Crédito: Reprodução/TV Globo
Internado havia dez dias no Real Hospital Português, o artista plástico e ceramista Francisco Brennand morreu nesta quinta-feira (19), aos 92 anos, após complicações de uma infecção respiratória.
O governo estadual de Pernambuco anunciou, via redes sociais, que decretará luto oficial de três dias em homenagem ao artista.
Em nota, o hospital afirma que o velório será realizado na capela Imaculada Conceição, na Oficina Cerâmica Francisco Brennand. O complexo monumental, uma antiga olaria herdada pelo artista de seu pai no bairro de Várzea, funcionava como museu e ateliê, e se tornou um ponto turístico importante em Recife.
As esculturas de cerâmica eram a parte mais robusta e mais conhecida da produção de Brennand. São totens, armaduras, vermes que saem de dentro da terra, seres zoomórficos, soldados. Em grande número, as obras despontavam em uma paisagem de galpões e mata do Engenho Santos Cosme e Damião, que pode ser visitado (o ingresso custa R$ 20).
Durante toda a trajetória do espaço e dos trabalhos que iam sendo acumulados ali, Brennand recebia o público ele mesmo. Era comum vê-lo transitando pelo espaço, recebendo os visitantes para conversas.
Nas pinturas, ele se valia de fábulas e mitologias populares, não só do nordeste, mas do mundo.
A história de chapeuzinho vermelho, simbologia das forças masculina e feminina, eram uma espécie de obsessão.
Deu origem a séries fantásticas, em sua maioria protagonizada por uma mulher ou uma menina, e costumava passar ao fundo a figura misteriosa de um lobo, ou de um homem que usa a máscara de lobo. Eram obras que se relacionavam com ideias feministas que Brennand viu ganhar volumes na mesma época em que criou a oficina em Recife.
Os mesmo motivos se desdobram em outras pinturas e produções de gravuras, onde o erotismo e as formas do corpo da mulher ganham destaque.
Ele traz do modernismo ainda, em sintonia com a última fase do movimento iniciado nos anos 1920, a figuração de temas e representações populares. Entram para o vocabulário do artistas as formas da natureza que observava em solo nordestino. Os pássaros, os insetos, as frutas da região.
Quando abriu a Oficina Brennand, em 1971, o artista, cuja família é de origem britânica, já se dedicava à produção artística havia mais de vinte anos.
Ele começou sua trajetória em 1942, quando conheceu o artista plástico pernambucano Abelardo da Hora, também eclético em relação aos suportes que utiliza, com temas que revelam a influência direta de Cândido Portinari.
Brennand foi contemporâneo de Ariano Suassuna, com quem produzia um jornal literário. As viagens nos anos 1940 e 1950 para a Europa alimentaram sua bagagem de influências, principalmente entre modernistas, e especialmente da obra do arquiteto catalão Antoni Gaudí.

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