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Crítica: 'O Apóstolo' mistura terror, drama e religião

Disponível na Netflix, filme dirigido por Gareth Evans é uma ótima surpresa

Publicado em 05 de Novembro de 2018 às 22:06

Redação de A Gazeta

Publicado em 

05 nov 2018 às 22:06
Dan Stevens vive um sujeito que busca a irmã em uma vila comandada por um estranho culto religioso Crédito: Netflix/Divulgação
É cada vez mais raro encontrar diretores autorais. A escassez é motivada pelo medo da indústria em arriscar, um receio surgido juntamente com a aurora dos blockbusters e a extinção dos filmes de médio orçamento – nos quais nomes como Francis Ford Coppola e Martin Scorsese se criaram. Hoje, o custo de produção de um grande lançamento é alto demais para que os estúdios assumam o risco de um fracasso.
Felizmente, os autores não estão totalmente extintos. Diretores como Denis Villeneuve, de “Blade Runner 2049” (2017) e “Sicário” (2015), Ryan Coogler, de “Creed” (2015) e “Pantera Negra” (2018), não se destacam à toa. Eles são alguns dos novos nomes que optam por contar histórias do seu jeito particular, com assinatura. Outro bom nome dessa safra, ainda não tão conhecido, é o galês Gareth Evans, diretor do recém-lançado “O Apóstolo”, disponível na Netflix.
Evans caiu nas graças do grande público quando lançou “Operação Invasão”, um dos melhores longa de ação da década. No filme, o diretor mostrou sua habilidade de controlar narrativa, contar história e comandar excelentes cenas de ação, provando ser um cineasta que merecia maior atenção. Com o novo filme, estrelado por Dan Stevens (“Legion”), um dos atores mais promissores de Hollywood, Evans vai além e prova ser também um ótimo manipulador de tensão.
“O Apóstolo” conta a história de Thomas Richardson (Dan Stevens), um sujeito que busca sua irmã em uma comunidade governada por um estranho culto religioso – uma sinopse intencionalmente vaga para um filme melhor apreciado às cegas.
O FILME
A direção chama atenção pela forma como trabalha a história sempre à base de contrastes: o dia e a noite; uma locação claustrofóbica contrapondo uma cena que ostenta uma paisagem em um ângulo aberto; e até o ambiente putrefato da vila se opondo à exuberância e à vitalidade da floresta que a cerca. Evans sempre busca um ângulo diferente para montar seus quadros, com muita câmera na mão e movimentação que segue a ação presente em tela. O diretor também imprime muita energia e tensão à narrativa, impedindo que o filme se torne cansativo em nenhum momento de suas mais de duas horas de duração.
A trilha sonora ajuda na criação da tal tensão; muito diversificada, ela nunca perde a coesão. Sempre com uma pegada pagã, a trilha vai de pianos em notas altas a momentos à capela.
“O Apóstolo” é um filme diferente. Traz alguns flashbacks expositivos e um problema de foco no segundo ato, mas nada que comprometa. Além de boas atuações, possui uma mensagem sobre o poder alienador da religião institucionalizada e seus líderes. Vale ressaltar que é um longa extremamente violento, o que pode incomodar. Ainda assim, para quem já está cansado da mesmice e de filmes sem conteúdo, é uma opção a ser apreciada.
 

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