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Em Cartaz

Crítica: "John Wick 3: Parabellum" capricha nas cenas de ação

Filme em cartaz nos cinemas expande universo e mostra que longas de ação podem ter um apelo artístico

Publicado em 17 de Maio de 2019 às 22:21

Publicado em 

17 mai 2019 às 22:21
John Wick 3: Parabellum Crédito: PARIS FILMES

O ano é 2014, época em que os filmes de ação se encontravam em uma fase um tanto estranha. Enquanto existia no mercado os excelentes longas da franquia “Missão: Impossível”, outras produções do gênero como “Busca Implacável 3”, “O Protetor” e “Mercenários 3” dependiam muito da câmera tremida e de cortes rápidos para mostrar as cenas de ação. Neste amontoado de produtos pouco inspirados, um longa acendeu em meio à mediocridade. Trazendo um antigo astro que andava sumido dos bons filmes e um diretor estreante, nasceu “John Wick”.

Protagonizado por Keanu Reeves ("Matrix") e dirigido por Chad Stahelski, a obra foi um presente para os fãs do gênero de ação. Contando a história de um homem se vingando pela morte de seu cachorro, o filme não se apoiava nos vícios comuns do gênero e trazia uma ação bem filmada com coreografias que lembravam os melhores filmes de artes marciais chineses. Três anos depois do sucesso do primeiro longa, chegava no cinemas a sequência, “John Wick: Um Novo Dia Para Matar”. Podia não ter o elemento surpresa nem o impulso vingativo do primeiro, mas expandiu o universo, aumentou a escala das lutas e acabou em um gancho que deixou os espectadores ansiosos por mais uma continuação.

John Wick 3: Parabellum Crédito: PARIS FILMES

 PARABELLUM

Agora em 2019, chegou aos cinemas nacionais, na quinta-feira (16), o terceiro capítulo dessa saga. Recebendo o título de “Parabellum” (prepare-se para a guerra), o filme faz jus ao seu nome entregando a guerra prometida no título e na obra anterior.

Continuando a história diretamente do segundo longa, John Wick se encontra desesperado com uma recompensa de US$ 14 milhões por sua cabeça após matar um dos membros da Alta Cúpula.

O que falar de “John Wick 3: Parabellum”?! É simplesmente um espetáculo ver o que foi feito nesse filme. O diretor Chad Stahelski aumenta a escala da ação na potência máxima, fazendo cenas de luta com facas, espadas, armas, motos e cavalos (você leu certo... cavalos). Isso tudo sem nunca perder o coração da franquia, que é a ótima coreografia, tomadas claras, nunca apelando para bagunça visual.

A fotografia também impressiona, com muito uso de néon e desenho de luz e sombra que ajuda na criação do mundo e na dinamização das cenas de ação. Entretanto, nada disso funcionaria sem o empenho do ator que dá vida a John Wick, Keanu Reeves.

Colocando muita energia no papel, Reeves faz a maior parte de suas cenas de ação sem dublê, o que dá um ar realista e acrescenta a cada combate uma credibilidade maior. Essa veracidade é trazida também por Halle Berry (Sofia), que faz grande parte das suas lutas também. A mixagem e edição de som ajudam a parte mais realista do longa, trazendo um desconforto a cada ferimento sofrido, osso quebrado, tiro levado.

John Wick 3: Parabellum Crédito: PARIS FILMES

O tom lúdico dado à violência ajuda o filme a não exibir as lutas de maneira sádica, não glorificando-a; as trocas de tiro e os combates corpo-a-corpo tem um ar artístico que é realçado pela ótima coreografia, fazendo dessas cenas uma grande dança, um “balé da morte”.

O humor é usado nos momentos certos, mostrando que o diretor e roteiristas não estão trabalhando o material de maneira muito séria, mas sim, com o objetivo de divertir o público. Isso ajuda a relevar o maior problema do filme: os diálogos. As conversas e a filosofia dita no longa é superficial, sem muito peso. Já a poesia trabalhada de forma imagética, o balé e as pinturas mostradas, tanto quanto os quadros montados pelo diretor, dão um escopo à obra, dando um peso artístico. No fim, é isso que a franquia "John Wick" fez até aqui, mostrar que no cinema, até algo brutal e reprovável, como a violência, pode ter um viés poético e artístico. 

 

Confira o trailer do filme

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