Nos anos 1990, a Marvel criou uma série de quadrinhos intitulados de “E se”. Essas HQs consistiam em reimaginar histórias marcantes da editora. Por exemplo, “e se a Mary Jane tivesse sido picada pela aranha ao invés de Peter Parker”, ou, “e se o Homem de Ferro tivesse morrido na caverna”. “Brightburn – O Filho das Trevas”, filme que chegou aos cinemas na quinta-feira, dia 23, é exatamente isso, e pega o super-herói que sempre simbolizou o altruísmo, a liberdade e a esperança e pergunta: “e se, ao invés de ser um herói, o Superman usasse seu poderes para o mal?”.
Mesmo não podendo usar os nomes clássicos que permeiam o universo do Homem de Aço, a trama contada aqui é basicamente a mesma dos quadrinhos. Um poderoso bebê alienígena aterrissa no quintal de um casal que vive no interior dos Estados Unidos, e acaba adotado por ele. É uma das histórias mais conhecidas do público, já tendo sido adaptada diversas vezes para as telas. Talvez por esse mesmo motivo a premissa de “Brightburn” seja tão boa: ela subverte um dos enredos mais conhecidos do mundo para o lado do terror.
Essa subversão é a melhor parte da produção, que usa vários clichês e ângulos de câmera clássicos dos filmes do Homem de Aço e os recontextualiza, colocando tudo já conhecido do super-herói sobre um ponto de vista macabro, grotesco e nojento (no bom sentido). Esse elemento de reimaginação é o mais divertido e o responsável pela criação das cenas mais tensas do longa.
Mesmo sendo o ponto alto do filme, o encantamento por essa excelente premissa começa a se esgotar com o passar do tempo e os problemas mais expressivos começam a aparecer. Um deles é responsabilidade tanto do diretor David Yarovesky (“A Colmeia”), quanto dos roteiristas Brian e Mark Gunn, que não souberam criar nada de novo em cima dessa ideia inicial. Assim, o longa se satisfaz em mostrar uma coletânea de momentos clássicos do Superman sob a ótica do terror e nada mais.
ATUAÇÕES
Felizmente, a maior parte das interpretações consegue sustentar “Brightburn”. A atriz Elizabeth Banks (Tori Breyer) transmite bem o amor materno, o carinho pelo filho, e a desconstrução da personagem quando começa a perceber que seu filho é um psicopata é bem trabalhada. Todo o arco de Tori dá um ar comovente à história. Já David Denman, que interpreta Kyle Breyer, o pai do garoto, representa a parte realista da trama: diante dos fatos, seu personagem reage como o espectador, e não como um personagem de ficção.
A exceção no campo interpretativo é o protagonista Jackson A. Dunn (Brandon Breyer). O ator está apático no papel do “filho das trevas”, sem nenhum medo ou senso de descoberta, tirando parte do encanto inicial que se tem com o longa.
Mesmo não tendo o melhor dos roteiros e não sendo uma grande representante do terror moderno, “Brightburn” é um exercício divertido de reimaginação de uma história que permeia a cultura pop há mais de 80 anos.
Confira o trailer