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Mudanças

Ancine precisa se alinhar a sentimento cristão, diz porta-voz

"A Ancine vai ter que adequar-se", disse Rêgo Barros

Publicado em 08 de Agosto de 2019 às 12:14

Publicado em 

08 ago 2019 às 12:14
O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros Crédito: Reprodução/Arquivo

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou nesta terça-feira (6) que a Ancine (Agência Nacional do Cinema) precisa estar "adaptada aos preceitos que a maioria da sociedade vivencia". 

"É muito importante que o produto da Ancine esteja alinhado com o sentimento da maioria da nossa sociedade. Um sentimento de dever, de cultura adequada, um sentimento cristão", declarou o porta-voz.

Rêgo Barros fez a afirmação ao responder a uma pergunta sobre o apelo do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), para que o presidente Jair Bolsonaro mantenha a sede da agência de fomento ao cinema no estado. 

"É preciso compreender que uma agência difusora de cultura deve estar adaptada aos preceitos que a maioria da sociedade vivencia. Então é nesse contexto que a Ancine vai ter que adequar-se", acrescentou o porta-voz, que disse ainda que a mudança da sede da agência para Brasília está em estudo. 

O presidente Bolsonaro já disse que pretende mudar a sede da Ancine do Rio para Brasília. 

A agência tem sido alvo do mandatário, que chegou a afirmar que pretende exinguir o órgão caso não seja possível usar filtros nas produções nacionais. 

"A cultura vem para Brasília e vai ter um filtro sim, já que é um órgão federal. Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos. Não pode dinheiro público ser usado para fins pornográficos", declarou o presidente, em julho. 

Na última sexta (2), porém, ele disse à imprensa que pode recuar da ideia da extinção. "Se recuar, recuo. Quantas vezes vocês falam que eu recuei? Tem a questão do audiovisual que emprega muita gente, tem de ver por esse lado", afirmou.

Segundo ele, o ministro Osmar Terra (Cidadania) apresentou um esboço de um projeto de restruturação da agência reguladora, que adotaria o mecanismo da Lei Rouanet para fomento de produções nacionais.

Nos ataques à Ancine, o presidente utiliza o argumento de que há produções audiovisuais que recebem patrocínio federal para fazer o que ele considera "ativismo". 

Ele tem criticado ainda o patrocínio recebido pelo filme "Bruna Surfistinha", protagonizado pela atriz Deborah Secco.

"Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá", disse o presidente, também em julho.  

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