Com a estreia de "Pinóquio", veja outras versões do clássico italiano

Tem adaptações para todos os gostos, desde terror, animação futurista – que se passa nos anos 3000 – até comédia erótica, estilo "sexplotation". Já o novo "Pinóquio", finalmente chega aos cinemas do Brasil nesta semana

Vitória
Publicado em 21/01/2021 às 17h13
Atualizado em 21/01/2021 às 17h13
A nova versão do clássico
A nova versão do clássico "Pinóquio", dirigida por Matteo Garrone, estreia esta semana nos cinemas . Crédito: Imagem Filmes/Divulgação

Quem nunca, quando guri, não ouviu a mãe dizer várias vezes, especialmente após o rebento aprontar alguma travessura: "não conte mentiras ou o seu nariz vai crescer igual ao do Pinóquio"?  O boneco de madeira de nariz gigante, que ganha vida após o "pai" solitário, o carpinteiro Gepeto, criá-lo para compensar um frustrado desejo paterno, faz parte do imaginário de qualquer criança.

O personagem criado pelo escritor Carlo Collodi em 1883, eternizado com uma animação dos estúdios Walt Disney, lançada em 1940, ganhou uma nova versão, bem mais sombria, dirigida pelo italiano Matteo Garrone. Após abrir o Festival de Berlim do ano passado, o novo "Pinóquio" finalmente chega aos cinemas do Brasil nesta semana.

Cineasta de influências naturalistas, e acostumado a mostrar um lado violento e "sujo" da sociedade italiana, como visto em "Gomorra" (2008) e "Dogma" (2018), Garrone acertadamente faz de seu "Pinóquio" um filme soturno e bem mais fiel ao texto de Collodi que a animação do "estúdio do Mickey".  

Aqui, vemos uma Toscana miserável (em cenários maravilhosamente fotografados por Nicolai Brüel), enfrentando um rigoroso inverno, onde a fome e o desamparo social é nítido. 

A história, porém, continua a mesma. Gepeto (Roberto Benigni), um solitário marceneiro que sonhava em ser pai, deseja que Pinóquio (Federico Ielapi, em ótimo desempenho), o boneco que acabou de construir, ganhe vida.

Seu pedido é atendido por uma fada (Marine Vacth), mas a desobediência do "menino" faz com que ele se perca de casa e embarque em uma jornada repleta de mistérios e seres fantásticos, que o levará a conhecer de perto as perversidades do mundo exterior.

Matteo Garrone, apostando no conto de fadas macabro – e usando (metaforicamente) o personagem como símbolo da luta contra as fakes news e as pós-verdades que reinam atualmente nas redes sociais – ousa ao dispensar efeitos especiais, destacando o talento do pequeno Federico Ielapi, aqui em uma "atuação física", usando apenas próteses. Nunca Pinóquio esteve tão próximo da realidade.

Filosofias à parte, aproveitamos a estreia da nova versão de "Pinóquio", listamos algumas das inúmeras produções baseadas no clássico  “As Aventuras de Pinóquio”, de Carlo Collodi. Para contextualizar, duas versões estão a caminho: uma animação para a Netflix, dirigida por Guillermo del Toro, com vozes de Cate Blanchett, Ewan McGregor e Tilda Swinton, prevista para o final de 2021,  e uma adaptação live-action, feita para os estúdios Disney, com direção de Robert ZemeckisTom Hanks como Gepeto.

  1. 01

    Pinóquio (1940)

    Um dos maiores sucessos entre as clássicas animações de Walt Disney, o projeto foi dirigido a sete mãos. "Pinóquio", que venceu os Oscar de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção ("When You Wish Upon a Star"), também ficou conhecido por não ser muito fiel ao texto de Carlo Collodi, suprimindo personagens essenciais para a trama e dando uma visão mais colorida e menos sufocante para o cenário de pobreza que dominava a Itália no século 19. O filme pode ser conferido no Disney +.

  2. 02

    Pinóquio (2002)

    Roberto Benigni, que vive Gepeto na nova versão, também já dirigiu e atuou em um projeto baseado na história clássica. O filme, um fracasso de crítica e de público, peca pelos exageros. O maior erro, sem dúvidas, foi escalar Benigni para interpretar o próprio boneco, em um puro exemplo de vaidade. A produção quase chegou a arruinar a carreira do italiano. Uma posta cara e desnecessária do estúdio Miramax. Disponível em DVD e no Looke e Netmovies

  3. A Gazeta - s1ny3f
    03

    Pinocchio (1976)

    Uma das inúmeras adaptações que a história ganhou para a TV, sendo em séries, minisséries, episódios especiais e telefilmes. Esta versão - produzida para a TBS em formato teatral - chegou a ganhar dois Emmys, o Oscar da televisão americana. Dirigido por Ron Field e Sid Smith, o filme aposta em números musicais e traz a cantora e atriz Sandy Duncan interpretando Pinóquio. Chegou a ser exibido na TV brasileira e a ganhar lançamento em VHS. Hoje, encontra-se fora de catálogo.  

  4. 04

    As Aventuras de Pinocchio (1996)

    Versão meio sinistra do clássico, feita com bonecos de marionetes e atores, o filme foi exibido nos cinemas brasileiros no Natal de 1996, mas não causou muito alarde. A direção é de Steve Barron, que fez sucesso na década de 1990 por lançar o primeiro filme de "As Tartarugas Ninja".  Nem o carismático Martin Landau, como Gepeto, fez com que o filme ganhasse alguma notoriedade. Está disponível em DVD no Brasil. 

  5. 05

    Pinóquio - O Perverso (1996)

    Lógico que "Pinóquio" ganhou várias versões para histórias de terror, onde mostrava uma personalidade sombria e um lado perverso para praticar o mal. Neste filme lançado em VHS e DVD no Brasil, a história é meio bizarra e faz um plágio descarado de "O Boneco Assassino". É tão ruim, que virou clássico trash-cult. Advogada não consegue salvar psicopata da cadeira elétrica, mas herda boneco que leva para sua filha pequena. Inconformada com a separação dos pais e a discriminação que sofre na escola, a inocente garotinha recebe vibrações macabras do brinquedo assassino.

  6. 06

    Pinóquio 3000 (2004)

    Animação pós-modera, super trash, que traz um boneco futurista vivendo no ano 3000 (!). Em Scamboville, uma cidade governada pelo malvado Scamboli, vive Gepeto, um inventor genial que criou algo muito especial: Pinóquio, um pequeno robô com muita personalidade e um sonho particular, tornar-se menino. O resto da história você já conhece. Disponível em DVD no Brasil. 

  7. 07

    As Aventuras Eróticas do Pinóquio (1971)

    O título pode sugerir uma história filmada no Brasil, na época de ouro da pornochanchada... Mas não, é uma produção americana bem apimentada, uma espécie de "sexplotation", que traz comédia e uma pitada de erotismo ao clássico de Carlo Collodi. Dyanne Thorne, musa da contracultura  dos anos 1970, vive a fada que transforma o bonitão Alex Roman em um homem com o "nariz" grande que as mulheres adoram. A produção, infelizmente, está fora de catálogo. 

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