O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, “A valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal”, dividiu a opinião dos candidatos que participaram do primeiro dia de provas, neste domingo (8), na Grande Vitória. Para alguns, a proposta foi tranquila e próxima da realidade. Para outros, foi uma surpresa difícil de desenvolver.
“Pega de surpresa”
As amigas Maria Fernanda Franzolin e Geovanna Victoria Matos, ambas de 16 anos, apostavam em uma abordagem voltada para a Inteligência Artificial. Geovanna, que é treineira, foi pega de surpresa pela temática escolhida e acabou optando por deixar a folha de redação em branco. Mesmo assim, conseguiu fazer o resto da prova sem problemas.
Já Maria Fernanda, também treineira, achou a proposta interessante por trazer um tema mais universal. “Fazia bastante tempo que a saúde não era abordada na prova e os textos de apoio ajudaram bastante”, disse.
Nem todos, porém, se adaptaram tão bem à proposta. Amigos desde a infância e ex-colegas de escola, Pedro Paulo Fortunato, de 18 anos, e Gustavo da Silva, de 17, fizeram o Enem na Estácio de Sá, no Centro de Vila Velha, e saíram com percepções diferentes.
Gustavo não gostou da proposta. “Achei o tema muito ruim, não gostei nada. Parece que não deu para desenvolver, pelo menos para mim”, disse. Apesar disso, considerou a prova tranquila no geral. “Não teve muita surpresa, foi o que eu estudei ao longo do ano e acho que consegui me sair bem”, contou.
Pedro Paulo, que faz o exame pela primeira vez, como treino, diz que não ter se preparado para valer. Mas achou o tema bem escolhido. “É um assunto muito importante, que ajuda diversas famílias no Brasil. Acho que consegui desenvolver bem e falar sobre o tema”, afirmou.
Tema ajudou, Humanas nem tanto
Estudante do terceiro ano de Ciências Biológicas, Laís Moreira fez o Enem para passar em Medicina. Ela já tirou 900 na redação em edições anteriores e quer aumentar a nota. Para ela, o tema deste ano ajudou, diferentemente de propostas de outras edições, como a democratização do acesso ao cinema e a saúde mental.
Nas questões de Humanas, porém, a avaliação foi outra. Laís estranhou cinco questões seguidas sobre um mesmo texto, algo que não é comum no Enem, e um texto de uma página inteira que achou “chatinho de ler”. “Eu tenho sentido que o Enem tem se perdido um pouco. Parece que estão focados na interpretação, parece Português, não tem tanto conteúdo. A gente estuda ciências políticas, acontecimentos, mas não cai. Cai como interpretação. Isso me incomoda um pouco”, reclamou.
Séries, notícias e autores: os repertórios dos candidatos
Na hora de escrever, os candidatos recorreram a referências variadas. Maria Fernanda usou séries que retratam a saúde pública no Brasil, como Sob Pressão e Emergência 53.
Laís levou uma notícia como repertório para a redação. “Eu li recentemente uma notícia falando sobre como as pessoas colocam o nome na fila do SUS, mas às vezes faltam quando chamadas e isso prejudica todo o sistema. Então, falei sobre essa notícia na minha redação”, conta.
Já a treineira Betina, que está no primeiro ano do ensino médio, citou o sociólogo Jessé Souza e o conceito de subcidadania. “É quando os seus direitos existem, eles estão escritos numa Constituição, mas eles não são exercidos”, explica. Ela também usou a escritora Carolina Maria de Jesus. Betina conta que a redação era sua maior dificuldade, mas que tem treinado muito: “Tenho uma vizinha que é muito boa em redação, aí quase todo final de semana eu vou pra casa dela e a gente estuda juntas”.
No próximo domingo (15), os candidatos fazem as provas de Ciências da Natureza e Matemática.
Com informações de Analu Fagundes, Camila Leão e Guilherme Marques