O Espírito Santo pode ser o destino de uma das quatro refinarias que a empresa Noxis Energy pretende construir nos próximos anos no país. A companhia, com sede no Rio de Janeiro, tem planos de investir a partir de 2019 mais de US$ 1 bilhão. Entre os locais cotados para os empreendimentos estão São Mateus, no Norte capixaba, Santana (Amapá), Barra dos Coqueiros (Sergipe) e Bacabeira (Maranhão).
O projeto ainda está em fase de desenvolvimento, mas a possível instalação de uma planta no Estado tem agradado e surtido boas perspectivas para o setor. O secretário de Desenvolvimento, José Eduardo Azevedo, já chegou a conversar com um dos representantes da Noxis, que reforçou o interesse pelo Espírito Santo. “O executivo falou que tem confiança de que é um projeto viável dentro do conceito de refinaria modular.”
Azevedo explica que trata-se de uma espécie de minirrefinaria, ou seja, uma planta com capacidade para processar cerca de 25 mil barris por dia, incluindo diesel, gasolina e óleo bunker (combustível marítimo), mas que, conforme as perspectivas e o cenário econômico, pode ser ampliada em um segundo momento.
A previsão é que a montagem aconteça no prazo de um ano. A data para dar início ao empreendimento, entretanto, não foi informada. De acordo com Azevedo, o Estado tem total interesse que esse projeto se consolide, uma vez que uma refinaria tem potencial de agregar valor ao petróleo produzido em terra e mar do Espírito Santo, hoje o terceiro maior produtor do Brasil, atrás do Rio de Janeiro e de São Paulo. “Isso agrega valor à nossa cadeia de óleo e gás, gerando emprego, receita e renda para o Estado.”
O coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, Durval Freitas, tem percepção semelhante e diz que um negócio como esse pode contribuir para o Estado evoluir na oferta de produtos e serviços e no desenvolvimento de inovação e tecnologia para essa cadeia. “Não podemos nos contentar apenas em ser um grande produtor de óleo e gás. O Espírito Santo e nossas empresas têm muita qualidade e capacidade para atender essa indústria, que é global.”
Os planos da Noxis vão na direção de uma demanda de combustíveis líquidos que tem sido crescente no país. Mas podem esbarrar na falta de abertura que esse mercado, muito concentrado nas mãos da Petrobras, ainda enfrenta. Segundo informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), sem investimentos no setor de refino, o país terá que importar cerca de 1 milhão de barris por dia para atender ao consumo interno. O dado reforça que há espaço para projetos na área.
A expansão da demanda também é confirmada pelo secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Félix, que observa que o Brasil é um grande exportador de petróleo, com mais de 1 milhão de barris por dia, mas ainda muito dependente da importação de derivados. “Dessa forma, refinarias, mesmo que pequenas, começam a fazer sentido. Esse modelo existe em outros países e atendem mercados regionais. Então, se tem produção próxima ao mercado, como é o caso do Norte de Espírito Santo, pode ter competitividade e ser um negócio interessante, inclusive, com efeito de desenvolvimento regional”, pondera.
Apesar da necessidade de mais investimentos na área de refino ter ganhado força no último ano, o tema ainda precisa caminhar a passos mais largos. A expectativa é que o debate se intensifique a partir de 2019, uma vez que a equipe do novo governo, de Jair Bolsonaro, tem um viés mais liberal e pode impulsionar discussões e ações que aumentem a participação de terceiros nesse mercado, bem como acelere o processo de desinvestimentos da Petrobras no setor.
A desconcentração nessa área pode representar mais investimentos para o Espírito Santo, mas sobretudo fazer com que o país sofra menos com riscos de interferências governamentais, reduza a importação dos derivados e se torne mais competitivo, um combo mais do que bem-vindo!
Pioneira
Se a refinaria da Noxis vingar será a primeira do Estado. Mas vale lembrar que não é a primeira vez que o Espírito Santo é sondado para abrigar esse tipo de investimento. Em 2013, um projeto semelhante chegou a ser anunciado. Mas a chamada Refinaria Capixaba, que seria construída em Jaguaré, não foi para frente. O motivo? O negócio era capitaneado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que foi preso em 2014 pela Polícia Federal, durante uma das fases da Operação Lava Jato, acusado de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa.
Mais facilidade com operações de câmbio e crédito
A recente autorização do Banco Central para a XP se tornar um banco deixou investidores com receio de produtos encarecerem e operações se tornarem mais burocráticas. Mas o movimento deve ser no sentido oposto, na avaliação da Valor Investimentos, que é sócia da corretora. Analistas consideram que os clientes serão beneficiados, principalmente em operações de crédito e câmbio.
Segundo o sócio-fundador da Valor Investimentos, Paulo Henrique Corrêa, será possível, entre outras coisas, obter recursos de curto prazo usando a carteira de investimentos como garantia. “Se a pessoa tem uma aplicação que vence em seis meses, por exemplo, e precisa de dinheiro antes, ela pode acessar uma linha de crédito garantida pelos ativos que tem no portfólio”, observa.