Em tese, o ideal de um modelo de economia ou de sistema econômico seria poder prover condições razoáveis de tal forma que todos os seus recursos disponíveis pudessem ser utilizados em sua plenitude. E essa virtude valeria sobretudo para os recursos humanos, cuja expressão concreta se traduziria no que se usa denominar de pleno emprego, que é quando todas as pessoas dispostas a trabalhar encontrariam postos disponíveis e sob condições aceitáveis de remuneração.
Infelizmente, não é essa a realidade mostrada mundo afora. Mesmo em países mais adiantados - basta olharmos para países europeus -, crescem as dificuldades e obstáculos para que pelo menos se encurte a distância em relação a esse mundo desejado. Mas é no nosso Brasil que esse problema tem ganhado relevância em anos recentes.
Nos últimos dez anos, que compõem a pior década do ponto de vista do desempenho da economia brasileira desde 1900, o que é deixado de legado se resume a um estoque de desocupados de 12 milhões de pessoas.
É até plausível imaginarmos que com um crescimento de 2,5% em 2020 a taxa de desocupação caia um pouco mais aceleradamente. Porém, nada de extraordinário acontecerá. É possível que a taxa de desocupação se mantenha ainda nos dois dígitos, mesmo com a estimativa de que um milhão de empregos líquidos sejam criados.
Sem dúvida, um cenário bem melhor do que nos últimos cinco anos. Mesmo assim, não devemos descartar a hipótese de que parte razoável desses novos postos de trabalho possam ser ocupados por pessoas atualmente ocupadas na informalidade. O cobertor é curto!
Mas a questão de fundo, e de natureza estrutural, está na constatação de que a economia brasileira parou no tempo, perdendo a capacidade de criar postos de trabalho com maior exigência de qualificação e sofisticação, especialmente nos últimos 20 anos. Tendência agravada principalmente no governo Dilma, de cujas consequências e rescaldos somos vítimas hoje e por mais anos à frente.
O ano de 2020, do ponto de vista do emprego, pouco avançará em termos qualitativos, isto é, quanto à exigência de maior qualificação e sofisticação. Afinal, a economia está muito abaixo da sua capacidade real, quanto mais da sua capacidade potencial. Mesmo assim, deverá ser um ano decisivo para uma retomada mais consistente e duradoura. É a expectativa que nos alenta no momento, e nos resta acreditar.