
Angelo Passos*
Com justa razão, o Espírito Santo celebra Eliezer Batista da Silva como um dos personagens mais importantes na construção do desenvolvimento econômico capixaba no século passado.
Mas, a dimensão de sua obra transcende o âmbito estadual. Como presidente da então estatal Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Eliezer idealizou e implantou uma logística que não apenas transformou a mineradora em uma das mais competitivas do mundo, mas também impulsionou o crescimento do Brasil a partir dos anos 1960.
Ele também mudou o cenário do comércio mundial. Transformou “distância física” em “vizinhança econômica”. Aproximou o Espírito Santo e Carajás, no Pará, da Ásia, ainda hoje o maior mercado consumidor de minério de ferro. O percurso de navio feito pelo produto nacional era cinco a seis vezes maior do que a do minério dos concorrentes, e ainda assim o nosso passou a ganhar em competitividade. O significado dessa engenharia econômica é ainda mais extraordinário por se tratar de um insumo de baixo valor comercial.
O porto de Tubarão, “menina dos olhos de Eliezer” começou a ser construído, em 1962 – época de penúria no Estado. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, a renda per capita do capixaba era de Cr$ 13,50, três vezes menor do que Cr$ 49,00 na região Centro-Sul. Foi o período em que se iniciou a erradicação de cafezais, no governo João Goulart, anunciada pelo ministro da Indústria e do Comércio, Ulysses Guimarães.
Por essas circunstâncias, era difícil imaginar que na terra extremamente dependente da monocultura agrícola estava nascendo, com aquele porto, um instrumento fantástico para expandir e diversificar a sua economia, e também para ampliar as exportações brasileiras. Esse cenário evoluiu com um conjunto de pelotizadoras de minério. Tubarão foi a grande porta que se abriu à vocação capixaba para o comércio internacional, que hoje responde por cerca de 50% do PIB estadual.
Além do Porto de Tubarão, inaugurado em 1966, por Castello Branco, Eliezer teve participação decisiva na criação da Aracruz Celulose e na construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas, na ferrovia ligando as reservas de Carajás ao porto de São Luís (MA) e no porto de Sepetiba (RJ), obras que impulsionaram a economia desses Estados e ajudaram a amenizar o gravíssimo atraso brasileiro em infraestrutura.
Matéria da revista Exame de dezembro de 2009, sobre o filme Eliezer Batista - O Engenheiro do Brasil, diz que ele via como equívoco de FHC a privatização da Vale. Achava que o lucro da mineradora permitiria fazer obras de desenvolvimento.
Na verdade, se todas as estatais tivessem dirigentes do quilate de Eliezer, muitas não precisariam ser privatizadas.
*O autor é jornalista