É comumente grande, principalmente em períodos que antecedem eleições gerais, o interesse em se saber ou antecipar possíveis desdobramentos dos resultados eleitorais no que diz respeito ao futuro do país. Nessa tarefa de se elaborar prognósticos, a dimensão econômica sempre é colocada como preocupação central. O que é perfeitamente justificável tendo em vista que é a economia a parte mais sensível às possíveis alterações nas formas de gestão, mas sobretudo na formulação e condução das políticas públicas.
Afinal, essas mudanças podem ter alto potencial de influenciar o humor do mercado e, por via de consequência, o bolso do cidadão.
Curiosamente, no entanto, pelo menos até o momento, entre o mercado e os especialistas, poucos estão se arriscando nessa tarefa de projetar possíveis cenários para os próximos anos.
Não há outra explicação para esse fato a não ser a grande incerteza quanto ao que sairá das urnas. Ou seja, está nas eleições o grande fator de risco para a economia anos à frente.
As escolhas poderão direcionar o país para diferentes graus de dificuldades a serem enfrentadas, como também para diversa capacidade de superação da crise
Em verdade, a única certeza é de que teremos anos difíceis, para não dizer até anormais. Essa possibilidade não deve estar fora do radar, já que dependem de escolhas a serem feitas em relação a possíveis caminhos ou rotas de saída do buraco no qual nos encontramos.
Em síntese, as escolhas poderão direcionar o país para diferentes graus de dificuldades a serem enfrentadas, como também para diversa capacidade de superação da crise.
Cenários são normalmente produzidos tendo como base certos consensos de avaliações, percepções e expectativas sobre o comportamento de um conjunto de variáveis e acontecimentos que integram e determinam a formação de uma dada realidade. Refletem, portanto, leituras que fazemos a partir de um dado ponto no tempo. O problema está nesse ponto instável e imprevisível no qual estamos atualmente.
Não seria exagero dizer que, no momento, temos pela frente chances iguais de o país optar por uma saída dita mais “populista” (à esquerda ou à direita), ou mais de centro (moderado). O maior perigo, no entanto, é o estado de indignação da população, que faz prevalecer a resposta com o “fígado” e não com a razão, podendo assim levar o resultado das urnas para o lado mais populista.
O grau de nitidez dos cenários será gradualmente ampliado na medida em que os acontecimentos da política evoluírem, principalmente com as indicações das pesquisas. Enquanto isso, tudo fica em compasso de espera até que novas rotas de saída sem clareadas.
*O autor é economista