Após cinco anos da ocorrência de grandes manifestações no Brasil, um momento crítico se aproxima. Uma vez definidos, os candidatos eleitos em 2018 ditarão o tom das políticas públicas e as escolhas executivas e legislativas que impactarão os milhões de brasileiros nos próximos anos.
Na hoje célebre obra "Por que as Nações Fracassam", os autores Daron Acemoglu e James Robinson desmistificam muitas das justificativas típicas para a condição de pobreza associada a países em desenvolvimento. Nem posição geográfica, modelo de colonização, momento histórico da descoberta, ética para o trabalho ou religião seriam elementos fundamentais.
Os principais fatores a serem levados em conta são a qualidade e estabilidade das instituições políticas e econômicas, já que são as regras que norteiam o funcionamento da economia e o sistema de incentivos a partir do qual as pessoas tomam decisões. Essas instituições abrangem não só as entidades formalmente constituídas, como as cortes judiciais, centros de decisões legislativas, entidades de classe, envolvendo tradições, regras e acordos postos que, quando estáveis, compartilhados, acessíveis ao maior número possível de pessoas e aplicados durante um longo período propiciam sociedades pujantes, ricas em oportunidades e abundantes em recursos.
A constituição de um modelo de Estado de Direito baseado no respeito à propriedade privada, na garantia das liberdades individuais - de expressão incluída - e, principalmente, em uma economia de mercado inclusiva são temas urgentes para essas sociedades. Por inclusiva, entende-se aquela que assegura acesso do maior número possível de indivíduos, que fazem suas escolhas de maneira livre, independente e autônoma.
Como está o Brasil nesse âmbito? Com dados de 2018, o Índice Global de Competitividade da Heritage Foundation nos coloca na 153ª posição e a Transparência Internacional nos atribuiu a 96ª posição no que se refere à percepção de corrupção entre os países. Contudo, há margem para mudança.
As manifestações de 2013, os desdobramentos da operação Lava Jato no comportamento da classe política e o dinamismo de comunicação promovido pelas redes sociais têm um importantíssimo papel nesse cenário, pois vêm sedimentando o caminho rumo à construção de um conjunto de boas escolhas para o Brasil.
Escolhas como a responsabilidade fiscal, transparência, regras claras e estáveis, redução do peso do Estado e estímulo à inovação pela desburocratização cada vez mais aparecem como pautas nacionais. Entre tantos, destaco esses elementos como primordiais para o desenvolvimento de uma economia de mercado mais inclusiva. Que em outubro de 2018 consigamos carimbar nosso passaporte para a prosperidade.
*O autor é engenheiro civil pela Ufes, especialista em Gestão Empresarial pela FGV e associado ao Instituto Líderes do Amanhã