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EducarES 2026

Novas dinâmicas em sala engajam e até auxiliam aluno a aprender

Metodologias ativas, tecnologia, aulas de campo e espaços de aprendizagem são usados para aproximar o conteúdo da realidade dos estudantes

Publicado em 01 de Novembro de 2026 às 07:45

Publicado em 

01 nov 2026 às 07:45
Professora e aluno em sala de aula na escola se cumprimentam
Na era da economia da atenção, estímulo a aprendizagem é desafio Magnific

A cena é comum no ônibus, na sala de espera do consultório, no restaurante e em vários outros espaços: pessoas com seus celulares em mãos, alternando o uso entre diversos aplicativos e postagens nas redes sociais. Em uma realidade na qual o aparelho se transformou em uma extensão da vida pessoal, um ambiente foi diretamente afetado pelo excesso de informação, a sala de aula. 


Afinal, na era da economia da atenção, em que essa função se torna cada vez mais escassa em meio ao volume massivo de conteúdos disponíveis on-line, professores e gestores escolares têm encontrado desafios para reter a concentração de alunos no modelo de escola tradicional, com carteiras enfileiradas, quadro à frente, professor falando e alunos sentados, apenas ouvindo.


 

Para a professora Cleonara Schwartz, do Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a transformação está relacionada também ao ambiente em que crianças e adolescentes estão inseridos. Segundo ela, estudantes que cresceram expostos a vídeos curtos, notificações, jogos e outros estímulos digitais chegam à escola acostumados a uma dinâmica de respostas rápidas e recompensas imediatas.


“A necessidade de reinventar o ensino surge porque os estudantes atuais, nascidos após os anos 2000, apresentam uma funcionalidade cerebral moldada por estímulos digitais rápidos e interações mediadas pela tecnologia. Acostumados a recompensas imediatas e telas, eles enfrentam a economia da atenção, em que plataformas digitais disputam seu foco. Isso cria uma atenção fragmentada e superficial, dificultando tarefas que exigem esforço cognitivo prolongado, como leituras complexas”, pontua Cleonara, também doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).

Cleonara Schwartz, do Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
Para Cleonara Schwartz, do Centro de Educação da Ufes, a transformação está relacionada também ao ambiente em que as crianças e adolescentes estão inseridos
Divulgação
Aluno no centro da estratégia

Para driblar essa realidade no Espírito Santo, escolas têm buscado caminhos para tornar o processo de aprendizagem mais dinâmico. Aulas de campo, cultura maker, jogos, debates, projetos, ferramentas digitais e até espaços específicos para ensinar os alunos a estudar passaram a fazer parte das estratégias. 


No Centro Educacional Leonardo da Vinci, a aposta passa pela diversificação das experiências. A escola utiliza recursos digitais de forma intencional, mas procura evitar que a tecnologia seja um fim em si mesma: na educação infantil, há ateliês multifuncionais, cozinha experimental e oficinas; no ensino fundamental, uma Estação Biológica reúne aquário, borboletário e herbanário; no ensino médio, o espaço maker Bottega permite desde o uso de ferramentas tradicionais até impressoras 3D.


A instituição também promove iniciativas que envolvem pesquisas de campo, viagens acadêmicas, robótica, realidade virtual, inteligência artificial, gamificação e estudos de caso. A ideia é associar diferentes ferramentas a situações reais e ao debate, aumentando o envolvimento dos estudantes.


“Em termos de metodologia de avaliação, a novidade mais recente é o Cycle Test, que consiste em avaliações reduzidas, as quais alunos fazem semanalmente, mantendo-os sempre engajados em ritmo de estudo. Oferecemos aqui também aulas de Mindfulness, para estimular a atenção plena e aumentar a memória e o raciocínio. Também damos muita atenção aos aspectos socioemocionais, que ajudam a controlar a ansiedade, comum especialmente na adolescência”, cita Mário Broetto, diretor do Centro Educacional Leonardo da Vinci, do grupo Inspired Education.



Mário Broetto, diretor do Centro Educacional Leonardo da Vinci, do grupo Inspired Education.jpeg
Mário Broetto, diretor do Centro Educacional Leonardo da Vinci: investimento na diversificação de experiências  Divulgação

No Centro Educacional Primeiro Mundo, em Vila Velha, a resposta também tem sido colocar o estudante mais vezes como protagonista da aula. A diretora Juliana dos Santos explica que a orientação é combinar momentos de exposição com experimentações, debates, trabalhos em dupla ou grupo e projetos que envolvam efetivamente os alunos.


“Pesquisas atuais asseguram que a perda de atenção acontece a cada cinco a sete minutos. Por isso, as aulas totalmente expositivas deram lugar a um planejamento que preveja tempo de exposição, ação dos alunos e outras metodologias que os envolvam, como júri simulado, pesquisa e debate de resultados, entre outros ", exemplifica. 

Juliana dos Santos, Diretora do Centro Educacional Primeiro Mundo unidade Vila Velha, escola da Inspira Rede de Educadores
Juliana dos Santos, diretora do Centro Educacional Primeiro Mundo unidade Vila Velha: aprender a aprender Divulgação
Ensinar a estudar

Se o excesso de estímulos tornou mais difícil sustentar a atenção, outro movimento ganha espaço: ensinar a  estudar. Para Cleonara Schwartz, essa é uma necessidade da escola contemporânea. Segundo ela, não é possível pressupor que o aluno já saiba estudar, pois, em meio ao excesso de informação, ele precisa aprender a selecionar, organizar e avaliar conteúdos.


“Hoje, ensinar o aluno a estudar significa exatamente desenvolver nele funções como a capacidade de planejar, de iniciar uma tarefa, de manter o foco de atenção, de eliminar as distrações, o que requer dele uma capacidade de autorregulação emocional”, salienta. 


No Leonardo da Vinci, isso começa a partir do 6º ano, com disciplinas voltadas à organização dos estudos, em que os alunos aprendem a planejar a rotina, criar hábitos de estudo, utilizar mapas mentais, fazer resumos, fichamentos e pesquisas e identificar quais métodos funcionam melhor para cada um. 


“Ensinar o aluno a ter autonomia de estudo, às vezes, é até mais importante do que um conteúdo específico. Ele levará para a vida toda”, pontua Mário Broetto. 


No Primeiro Mundo, o foco é direcionar os alunos para que conheçam seu processo de aprendizagem. “Embora tenhamos heterogeneidade nas turmas, a orientação individual para isso é constante. Além das ações cotidianas internas, trazemos especialistas que colaboram nesse processo de aprender a aprender”, finaliza  Juliana dos Santos. 


Cinco dicas para aprender a estudar com autonomia

1. Organize uma rotina de estudos
Defina horários, distribua as tarefas ao longo da semana e estabeleça metas possíveis. Ter uma rotina ajuda a organizar o tempo e a assumir gradualmente a responsabilidade pelo próprio aprendizado.


2. Descubra quais estratégias funcionam melhor para você

Não existe uma única maneira de estudar. Fazer resumos, mapas mentais, pesquisas e exercícios e explicar o conteúdo para outra pessoa são algumas possibilidades. O importante é experimentar estratégias e perceber quais ajudam de fato a compreender e lembrar o conteúdo.


3. Estabeleça objetivos antes de começar
Em vez de simplesmente “estudar matemática”, defina o que precisa aprender: compreender determinado conceito, resolver uma quantidade de exercícios ou revisar um conteúdo específico. 


4. Monitore o próprio aprendizado
Depois de estudar, tente verificar o que realmente aprendeu, e não apenas o que reconheceu ao ler. Faça perguntas para si mesmo, tente explicar o conteúdo sem consultar o material e identifique os pontos que ainda precisam ser retomados. 


5. Proteja o momento de estudo das distrações
Celular e outras interrupções dificultam a manutenção da atenção. Criar um ambiente adequado, estabelecer períodos de concentração e fazer pausas planejadas pode ajudar a sustentar o esforço necessário para aprender. 


Fonte: Cleonara Schwartz, professora do Centro de Educação da Ufes; Mário Broetto, diretor do Centro Educacional Leonardo da Vinci; e Juliana dos Santos, diretora do Centro Educacional Primeiro Mundo


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