O crescimento de apenas 1,1% da economia em 2018 veio abaixo de 1,3%, resultado modesto esperado por analistas e empresários em função da estagnação no quarto trimestre. Mas a maior frustração está no fato de que 1,1% representa apenas um terço dos 3% projetados pelo mercado há 12 meses. As expectativas se deterioraram em ritmo rápido e irreversível.
O Brasil repetiu em 2018 o pibinho de 2017, quando saiu da recessão. A soma dos bens e serviços produzidos no ano passado ficou em R$ 6,8 trilhões. Também deve ser registrado que em 2018 o país produziu 5% menos do que 2014, antes dos dois anos seguidos de queda do PIB (2015 e 2016), o que deixa clara a dificuldade de avanço da economia. No ano passado, a indústria apresentou alta de apenas 0,6%, e o resultado foi comemorado, porque há quatro anos o desempenho anual vinha sendo negativo. A performance da agropecuária foi pior: alta de 0,1%. Na prática, significa estagnação de um setor que vinha puxando o PIB havia vários anos.
Também é preocupante que 2018 tenha sido encerrado com investimento (condição indispensável para crescer) equivalente a 15,8% do PIB, ligeiramente superior a de 2017 (15,0%). E só não foi pior porque houve uma mudança na metodologia de cálculo, que passou a incluir plataformas de petróleo já em funcionamento.
As consequências sociais desse quadro têm sido graves e inevitáveis. Entre elas, a lentidão na reposição dos empregos destruídos no período recessivo. Ainda hoje, 12,7 milhões de pessoas em idade ativa estão fora do mercado de trabalho. Isso implica redução da renda familiar, situação que vem limitando o consumo – uma das principais molas do crescimento.
Três obstáculos são apontados como os mais prejudiciais ao PIB no ano passado. O mais impactante foi a greve dos caminhoneiros, que travou, literalmente, diversas atividades e reduziu a arrecadação tributária. Até hoje, a economia guarda sequelas. Outro, foi a incerteza sobre os rumos políticos durante 2018, até a eleição. O terceiro entrave foi a não realização da reforma da Previdência e isso ocorreu paralelamente ao aumento da crise fiscal em vários Estados, afetando investimentos públicos e privados. Só seis unidades da federação - entre elas o Espírito Santo, felizmente – entraram em 2019 com as finanças equilibradas.
Aí estão alertas para 2019. O principal a ser feito é a reforma da Previdência – o grande teste para o novo governo. E não pode demorar. Se as mudanças não tiverem eficácia fiscal expressiva, o país não reconquistará a confiança dos investidores, e o PIB continuará se arrastando e agravando problemas sociais. Só essa reforma não resolverá todos os problemas da economia, mas abre caminho para medidas saudáveis, dentre elas a reformulação do sistema tributário.