A sociedade vivencia transformações intensas em intervalos cada vez mais curtos. Basta pensar nos últimos 20 anos: a digitalização massiva fez florescer novas áreas de atuação profissional, ao mesmo tempo que acabou com uma infinidade de postos de trabalho, provocando uma obsolência que é um desafio para o futuro do emprego.
Essa dualidade pode se repetir em diversas áreas, impondo a governos e legisladores alterações de rota cada vez mais arrojadas, que garantam o desenvolvimento humano em meio às adversidades que se impõem.
A reforma da Previdência, nesse contexto, não é um capricho de determinados setores políticos e econômicos, é o ajuste que será capaz de garantir que a aposentadoria continue sendo um benefício pago pelos serviços prestados pelos trabalhadores ao longo da vida.
Contudo, a sua dinâmica terá de condizer com as novas realidades demográficas, visto que uma população que vive cada vez mais, com qualidade, está preparada também para alguns anos a mais no mercado de trabalho, já que na outra ponta há menos jovens contribuindo para a sustentabilidade do sistema. Sem uma racionalização desse gasto é que de fato se coloca em risco o acesso à aposentadoria.
Por isso, a reforma interessa a todos os brasileiros, como ressaltou o economista Samuel Pessôa, que esteve em Vitória para uma palestra sobre o tema para representantes do setor produtivo. O equilíbrio na distribuição do benefício, com o corte de privilégios e a imposição de uma idade mínima, vai sanear as contas públicas e também ampliar a capacidade de atrair investimentos. É uma situação ganha-ganha, na qual o Estado terá também mais condições de garantir os serviços essenciais, onde de fato não pode estar ausente.
Mas não há varinha mágica: a aprovação da reforma é um alicerce para o país mais equânime que tanto se vislumbra para os próximos anos. Sozinha, não resolve todos os problemas.
O empenho da classe política continuará sendo necessário para levar adiante uma agenda modernizante, com foco na educação necessária para a qualificação do mercado de trabalho, no aumento da produtividade e na desburocratização. É, como foi dito lá no início, um pacto social para encarar um mundo em constante transformação, em todas as áreas.