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Opinião da GAZETA

Redução dos juros ainda precisa ser sentida no bolso dos cidadãos

De acordo com o Banco Central, a média entre os produtos bancários gira hoje em torno de 25% ao ano. É uma distância muito grande da Selic

Publicado em 06 de Agosto de 2019 às 00:08

Públicado em 

06 ago 2019 às 00:08

Colunista

Crédito: Reprodução | Internet
O mercado financeiro reduziu para 5,25% ao ano previsão para o juro básico no fim de 2019 – condição inexistente há décadas na economia brasileira. É também uma boa notícia a estimativa de inflação de 3,8% neste ano, abaixo da meta de 4,25% do Banco Central. O problema é a falta de força da economia. Mesmo com esses dois fatores de incentivo ao consumo, e também a liberação do saque do FGTS, a aposta generalizada é de crescimento em 2019 está em torno de 0,82%, o pior resultado desde que o país saiu da recessão, em 2017.
O ciclo atual de queda dos juros começou em outubro de 2016, quando a taxa era de 14,25%. E terá acumulado recuo de 9 pontos percentuais se a Selic atingir 5,25%, como espera o setor financeiro. Assim se completarão mais de três anos seguidos com as taxas mais baixas da história, sem com isso fazer decolar a atividade econômica. O preço social é muito elevado. Está refletido em mais de 12 milhões de desempregados.
A missão do Banco Central não é impulsionar o PIB, mas controlar a inflação. No entanto, se dosar a política monetária de forma a manter o IPCA baixo e estável, estará dando grande contribuição para aquecer a produção e o consumo. Porém, não se deve esperar queda incessante da Selic. Isso será possível até quando não prejudicar a força dos juros para atrair capitais para o Brasil. Seria desastrosa uma fuga acentuada de recursos.
O que falta para que a queda dos juros básicos seja sentida no bolso do cidadão comum é a redução mais acentuada das taxas no balcão dos bancos. De acordo com o Banco Central, a média entre os produtos bancários gira hoje em torno de 25% ao ano. É uma distância muito grande da Selic. Funciona como bloqueio de acesso ao crédito para muitos pretendentes. Isso ajuda a entender porque, segundo pesquisas recentes, 90% dos microempreendedores individuais (MEIs) nunca tomaram empréstimo em nome da empresa. A intermediação financeira não está conseguindo cumprir da melhor forma a tarefa indispensável de alavancar o crescimento.
O deslanchar da economia também depende de mudanças estruturais. É fundamental que se conclua com sucesso as reformas da Previdência e a tributária, que começa a ser discutida na Câmara. E que paralelamente seja reduzido o tamanho da máquina burocrática.

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