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Opinião da Gazeta

Professora faz-tudo supre vazios deixados pelo Estado

Dedicação de Edicléia Feliz em escola de Sooretama mostra como o envolvimento de professores pode fazer a diferença na educação

Publicado em 27 de Março de 2019 às 23:32

Públicado em 

27 mar 2019 às 23:32

Colunista

Edicléia Feliz e seus alunos em Sooretama Crédito: FABRICIO CHRIST/TV GAZETA

A educação brasileira é deficiente em todas as etapas de ensino. Assim, apostar no fracasso é o que dá retorno certo; bravos são aqueles que depositam suas fichas na mudança. E pequenas revoluções são possíveis, transformadoras. É essa perspectiva na qual o derrotismo é matéria riscada da grade curricular que move pessoas como a professora que se desdobra para garantir a educação de 15 crianças de Sooretama, no Norte do Estado. Uma história de esforços diários que poderia bem ser o roteiro de um filme, mas é vida real. Um alento e uma inspiração.

Edicléia Feliz é a única educadora da Escola Estadual Unidocente Ensino Fundamental (EEUEF) Córrego Patioba. Sua rotina com os alunos ganhou notoriedade com a reportagem de Mário Bonella para a TV Gazeta, reproduzida por este jornal, que mostrou o ânimo de uma profissional que sai bem cedo de casa para iniciar uma jornada que inclui pegar alguns alunos em casa, dar as aulas para os 15 estudantes de 1ª a 5ª série do ensino fundamental e ainda preparar a merenda. Conseguiu, em dois anos, um feito de causar inveja a ministros e secretários da área: aumentar o engajamento da comunidade com a escola (antes dela, há dois anos, a instituição possuía apenas três alunos). E ainda alcançou 100% de aproveitamento no Programa de Avaliação Educacional do Espírito Santo (Paebes) 2018.

Não cabe, aqui, eximir o poder público de suas responsabilidades com o setor que está no cerne da construção de um país mais digno e inclusivo. Toda a mudança que se espera passa pela educação, mas o Brasil coleciona obstáculos, que vão da má qualidade do ensino à evasão escolar. Por isso, este jornal cobrou explicações do governo estadual sobre o acúmulo de funções – algo alegadamente permitido na categoria em que a escola se encontra em função da quantidade reduzida de alunos – e os problemas estruturais. Obviamente, o cenário não é o ideal, apesar da nobreza das atitudes da professora Edicleia.

Mas a dedicação da educadora conseguiu transformar a relação dos alunos com a escola, justamente numa fase crucial da formação. Há, certamente, outras Edicléias por aí, que fazem da educação um projeto de vida, mantendo as crianças onde elas devem estar: na sala de aula.

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