Pelo segundo dia consecutivo, passageiros do Transcol sofreram com a paralisação de empresas ligadas ao sistema. Depois que rodoviários bloquearam na terça-feira a saída de ônibus da Viação Santa Zita, em Viana, ontem foi a vez de motoristas e cobradores da empresa Praia Sol, em Vila Velha, também cruzarem os braços. Com isso, milhares de pessoas ficaram impedidas de tocar a vida, o que não pode ser concebido.
Os passageiros, como é usual, sofreram duplamente. Eles, que já encaram diariamente as más condições do sistema de transporte, com ônibus lotados, desconforto, atrasos e assaltos, foram também penalizados com a paralisação do serviço. Ruim com ele, muito pior sem ele.
Registre-se, ainda, que a greve acontece dias depois do aumento de mais de 10% no valor da passagem, que passou de
R$ 3,40 para R$ 3,75, e do crescimento recorde do subsídio pago pelo Estado às empresas do sistema, que registrou um salto de 72%, indo de R$ 0,61 para R$ 1,06. Mesmo que indiretamente, é um preço também pago pelos contribuintes.
A greve é uma garantia legal dos trabalhadores. Mas as mesmas leis que asseguram o direito à paralisação das atividades também impõem limites a esses movimentos, para evitar abusos e prejuízos à coletividade. Este caso do Transcol é mais grave porque a demanda da categoria, a respeito de jornada reduzida, já tinha previsão de ser julgada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-ES) ontem. Por que não aguardaram?
Em Vila Velha, a paralisação só teve fim após determinação da Justiça, com as garagens das viações sendo liberadas já no início da tarde. Já em Viana, motoristas foram autorizados pelos sindicalistas a voltar aos seus postos após a decisão favorável do TRT, que saiu no início da noite. Confirmou-se, assim, o quanto a paralisação foi sem propósito.
Transporte público é uma necessidade básica da população, para ir ao trabalho, à escola, ao médico. Por isso proibir a circulação da frota de empresas, interrompendo por completo o serviço de várias linhas, não é admissível. A liberdade de uns não pode atropelar o direito de outros.