Ao contrário do prometido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e por empresas do setor, o preço médio da passagem ficou mais caro a partir da cobrança por bagagem despachada. O valor médio dos bilhetes para voos com origem em Vitória aumentou 8% entre julho de 2017 (quando a regra entrou em vigor) e agosto de 2018, conforme constatação do G.Dados, grupo de jornalismo de dados da Rede Gazeta. Trata-se de percentual agressivo, muito acima da inflação de 4,64% no período.
Antes, o transporte da bagagem de todos os passageiros, mesmo de quem não despachasse mala, estava embutido no preço da passagem. Cada cidadão tinha direito a embarcar um volume de até 23 quilos nos voos domésticos e dois, somando até 32 quilos, nos trajetos internacionais. Era um sistema que onerava os que viajavam apenas com pertences de mãos.
No entanto, com a nova regra o preço das passagens não foi reduzido para passageiros sem mala. Apenas passou-se a cobrar mais dos que levam bagagens. Ficou a sensação de logro na aplicação do princípio de justiça tarifária. Dados das empresas indicam que dois terços dos bilhetes vendidos são da categoria que não inclui o despacho de bagagem.
A própria Anac apurou que já em 2017, após iniciada a cobrança por mala, houve aumento do valor médio da passagem em todo o país. No Espírito Santo, o ápice foi atingido em dezembro. O bilhete para embarques em Vitória chegou a custar R$ 568, isto é, 26,8% a mais em relação a R$ 448 no mesmo mês de 2016, também marcado por pressão sazonal de demanda por transporte aéreo. É difícil para o usuário compreender diferença tão grande de preço, em cenário de inflação declinante.
Custo operacional dos voos. Esta é a alegação da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) em defesa dos valores praticados. Cita que em 12 meses, o querosene de aviação teve reajuste de quase 45%, o que compromete, em média, um terço do preço das passagens. O avanço do valor do dólar também é apontado como vilão, já que 60% das contas do setor aéreo são dolarizadas. A cobrança de serviços adicionais, como bagagem, é vista como saída para não repassar integralmente a elevação de preços para os passageiros.
A intensificação da concorrência é a melhor esperança para os usuários, em termos de tarifa e qualidade de serviços. Um passo importante nesse sentido é a medida provisória assinada na última quinta-feira pelo presidente Temer autorizando a injeção de até 100% de capital estrangeiro em companhias de aviação com registro no Brasil. É uma abertura histórica do mercado aéreo brasileiro, e deve estimular a competição.