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Opinião da Gazeta

Imprevisibilidade da natureza não pode ser desculpa para o caos

Grito de socorro das vítimas da chuva mais uma vez ecoou pelo Espírito Santo, e ainda faltam planos de contingência das prefeituras e do governo estadual que realmente funcionem

Publicado em 18 de Maio de 2019 às 22:24

Públicado em 

18 mai 2019 às 22:24

Colunista

Militares do Exército resgatam pacientes em maternidade de Vila Velha após alagamento Crédito: Vitor Jubini

O grito de socorro das vítimas da chuva mais uma vez ecoou pelo Espírito Santo. A madrugada e a manhã deste sábado (18) testemunharam um temporal que deixou um rastro de destruição e alagamentos: em 24 horas, choveu cinco vezes mais do que o previsto, 249mm. A imprevisibilidade da natureza, contudo, não pode ser mais uma vez a desculpa para o caos que se instalou na Grande Vitória e em municípios do interior.

É uma justificativa que precisa deixar de ser reciclada, porque passa a ser um atestado de incompetência. Ainda faltam planos de contingência das prefeituras e do governo estadual que realmente funcionem quando se precisa deles. Se as estações de bombeamento não responderam como deveriam, é sinal de que estão sendo ineficientes.

A força das águas mais uma vez impressionou, remetendo às chuvas de 2013. Mas nem é preciso voltar tanto no tempo para constatar como ainda não estamos preparados. É inadmissível que o Pronto Atendimento e Hospital Maternidade de Cobilândia, em Vila Velha, continue vulnerável a alagamentos. Teve que ser fechado, mesma providência tomada em novembro passado, em outro episódio de chuvas fortes. Os pacientes, como agora, também precisaram ser transferidos com urgência para outros hospitais.

E mais: a Terceira Ponte precisou ser fechada, bairros que não possuem histórico de alagamentos ficaram submersos em todos os municípios, o comércio amargou prejuízos, enquanto parte da população novamente teve perdas materiais e emocionais. Em Vila Velha, município sempre mais castigado, já tem mais de 90 desabrigados.

O próprio governador Renato Casagrande admitiu que é preciso mais investimento em infraestrutura. A questão é esse alerta só disparar quando as cidades voltam a ficar debaixo d'água. O dilúvio deste sábado foi extraordinário, e é isso que prefeitos e governador precisam entender: as cidades têm de estar mais preparadas para as chuvas atípicas, as que causam as verdadeiras mazelas sociais. O Rio de Janeiro, nosso vizinho, tem vivido experiências traumáticas recentes também por falta de planejamento. Não dá para continuar sendo ou seguindo os maus exemplos.

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