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Opinião da Gazeta

Gargalos na Baía de Vitória reduzem a competitividade no Espírito Santo

Expressivo volume de produtos - como café, granito, frutas e carnes, entre outros - que deveria sair de Vitória para o exterior segue, de caminhão ou cabotagem (encarecendo o frete), para embarque em outros Estados, causando vultosos prejuízos

Publicado em 22 de Abril de 2019 às 00:16

Públicado em 

22 abr 2019 às 00:16

Colunista

Eliminar gargalos portuários é um grande desafio para o Espírito Santo avançar em competitividade e alcançar maiores taxas de crescimento. Expressivo volume de produtos – como café, granito, frutas e carnes, entre outros – que deveria sair de Vitória para o exterior segue, de caminhão ou cabotagem (encarecendo o frete), para embarque em outros Estados, causando vultosos prejuízos.
Muitas linhas marítimas deixaram de atender ao Estado, em razão das restrições da Baía de Vitória para receber navios de grande porte. A dragagem do canal, recentemente concluída, ameniza, mas não extingue o gargalo. Isso vem afetando continuamente as operações de importações. O Estado está em desvantagem na disputa de cargas portuárias com outras unidades da federação.
A situação enfrentada pelo café, maior riqueza do nosso campo, exemplifica bem o problema logístico. Em 2018, dos 4,6 milhões de sacas de arábica produzidos no Espírito Santo, cerca de 3 milhões destinaram-se à exportação, no entanto apenas 1,3 milhão foi exportado diretamente por Vitória. As demais sacas saíram por outros Estados. Além disso, grande volume de cafés produzidos no Leste de Minas Gerais deixa de ser embarcado no litoral capixaba. São fatos que reduzem a competitividade do Espírito Santo no mercado internacional de café.
Esse quadro parece, mas não é contraditório com o destaque do Espírito Santo como um dos Estados de maior movimentação portuária. Isso se deve aos terminais especializados das grandes companhias exportadoras. Juntos, eles respondem por cerca de 90% do volume de mercadorias que transitam na costa capixaba. Os gargalos estão nos portos públicos, por onde passam dezenas de tipos de produtos. Ou seja, o problema está nas cargas conteinerizadas. E elas são muito importantes para a dinâmica local. Atraem investimentos, criam encomendas para ampla cadeia de fornecedores de bens e serviços, geram empregos e têm forte participação na arrecadação tributária.
Existem soluções encaminhadas para futuro portuário do Espírito Santo. A questão em aberto é agilizar as construções, o que seria muito vantajoso para a economia capixaba. Tratam-se do Complexo Portuário a ser implantado pela Petrocity, em São Mateus; o Porto Central, em Presidente Kennedy; e o Porto da Imetame, em Aracruz. Os três estão licenciados ambientalmente.

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