A economia em marcha lenta tem força para atropelar o emprego. A prova disso é que no primeiro trimestre a desocupação cresceu em 14 das 27 unidades da federação, incluindo o Espírito Santo, onde 364 mil pessoas não encontram vaga. No último trimestre do ano passado, eram 215 mil profissionais nessa situação, o que mostra a rápida deterioração das oportunidades de trabalho.
Tem tudo a ver com a queda nos indicadores de desempenho econômico no país e no território capixaba. A produção industrial no Estado caiu 8,5% (o pior resultado do Brasil) no primeiro trimestre, enquanto o faturamento do setor recuou 8,4%. E, de janeiro a abril, o valor total das exportações locais diminuiu 5,8%.
Em âmbito nacional, a taxa de trabalhadores ociosos avançou de 11,6% em dezembro de 2018 para 12,7% em março de 2019, atingindo 13,4 milhões de cidadãos. De acordo com o IBGE, desse total, 5,2 milhões procuram emprego há mais de um ano, 3,3 milhões estão desocupados há dois anos ou mais e cerca de 4,8 milhões (os chamados desalentados) desistiram de procurar emprego. Na verdade, o grande desalento é da economia, neste momento. Já não existe a perspectiva de crescimento expressivo do PIB em 2019 vista no início do ano.
Outro dado preocupante é a elevadíssima taxa de desemprego entre jovens: 27,3%, na faixa de 18 a 24 anos. O mercado não está acolhendo grande parte dos que chegam para produzir. Isso decorre de vários fatores negativos. Dentre eles, alto nível de ociosidade em várias atividades, principalmente na indústria, demanda doméstica enfraquecida pelo achatamento da renda da população e baixo volume de investimento na economia, em função do cenário de incertezas.
Em muitos casos, a desocupação resulta de qualificação profissional inadequada às necessidades das empresas. No primeiro trimestre, 56,4% dos desempregados tinham apenas o ensino médio, e 22,1% não chegaram nem a concluir o aprendizado fundamental. A redução do número de desocupados e também a produtividade das empresas passam pelo aumento de investimentos, público e privado, na preparação de mão de obra.
A reforma da Previdência ajudará a amenizar o desemprego, ao melhorar a confiança na economia. Mas também são necessárias outras reformas, como a tributária, para destravar negócios e abrir vagas.