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Carlos Bolsonaro, o filho-problema

Jair Bolsonaro tem sido incapaz de controlar os arroubos do filho, e brigas internas jogam para escanteio as reais prioridades do país

Publicado em 25/04/2019 às 21h44
Carlos Bolsonaro na Câmara do Rio. Crédito: Renan Olaz - CMRJ
Carlos Bolsonaro na Câmara do Rio. Crédito: Renan Olaz - CMRJ

Uma crise de governabilidade em tão pouco tempo de mandato é algo que deveria estar fora do horizonte de qualquer presidente, mas já se instala sobre Jair Bolsonaro, trazida justamente por um de seus filhos, Carlos. As críticas públicas ao vice, Hamilton Mourão, são mais do que roupa suja lavada em público. São a exposição indevida das diferenças internas, amplificada pela paranoia que pareceu se instalar sobre o núcleo familiar do bolsonarismo, jogando para escanteio as reais prioridades do país.

Jair Bolsonaro tem demonstrado incapacidade de controlar os arroubos do filho, que não poupa a artilharia cada vez mais pesada contra o general. Bolsonaro minimiza o comportamento de Carlos, tratado como um adolescente com “um ânimo um pouco exaltado”, como relativizou o presidente sobre as bravatas do filho. Carlos, alheio a qualquer autoridade, permanece sem limites.

No momento em que o vereador do Rio se manteve como o responsável pelas redes sociais após a posse do pai, a chave não foi virada. A metralhadora da campanha presidencial continua sendo disparada, indiscriminadamente. Bolsonaro, contudo, é o presidente do país, e seus perfis deveriam ter adotado tons mais institucionais, mesmo que buscando uma comunicação direta com seus seguidores. Carlos, que também usa a própria conta no Twitter como trincheira, deveria estar mais preocupado com o seu mandato na Câmara do Rio. Mas é a disputa pelo poder que o move. No caso da briga com Mourão, resiste a cisma de que a tradição brasileira se repita: a do vice que toma o lugar do presidente. São nada menos que oito episódios na história do país.

Desde a posse, quando desfilou em carro aberto com o pai e a primeira-dama após um mau presságio, ficou evidente que o recruta 02 agiria como um verdadeiro cão de guarda. As declarações de Mourão, muitas vezes antagônicas e mais afinadas com o bom senso, sugerem que o general estaria pavimentando seu caminho para o Planalto, principalmente porque esse discurso moderador não se incluía no seu repertório pré-eleições. Insuflado pelo olavismo, o vereador tomou para si o ataque a uma possível traição. Corre o risco de causar uma implosão.

As brigas internas só atrapalham um momento já tão crítico para o país. O governo se prepara para a batalha pela aprovação da reforma da Previdência e não pode desperdiçar forças em outras frentes, o enfraquecimento é certo. Desde o começo, o governo Bolsonaro tem sido o seu pior inimigo, a oposição só assiste de camarote. O desemprego não recua, a economia não cresce, os dramas sociais perduram. Tanta instabilidade precisa ser superada, o governo Bolsonaro depende da própria credibilidade para começar a tirar o país do fosso.

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