Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Editorial
  • Brechas na lei são fatais para mulheres vítimas de violência
Opinião da Gazeta

Brechas na lei são fatais para mulheres vítimas de violência

Aumento do número de feminicídios no Espírito Santo mostra que ainda tem um longo caminho a percorrer para dar fim a crimes decorrentes da violência doméstica e da discriminação de gênero

Publicado em 14 de Maio de 2019 às 19:12

Públicado em 

14 mai 2019 às 19:12

Colunista

Mulher é esfaqueada pelo marido na frente do filho em Vila Velha Crédito: Bernardo Coutinho | GZ
Em anos mais recentes, a violência contra as mulheres no Brasil, que sempre existiu, mas mantinha-se encoberta pelo véu do machismo, explodiu em campanhas, debates, relatórios, estudos, redes sociais e conversas de bar. Infelizmente, o país percebeu que a tragédia é diária, complexa, arraigada. Mas, felizmente, a sociedade e o poder público começaram a acordar para o cenário que, somente entre fevereiro de 2018 e o mesmo mês deste ano, somou 1,6 milhão de brasileiras espancadas ou vítimas de tentativa de estrangulamento, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança.
Com uma lupa sobre o assunto, foi possível despertar para o fato de que ameaças, agressões e mortes não escolhem classe social, não acontecem num beco escuro. Foi possível desconstruir falácias que culpam as vítimas pelas violências física, psicológica, patrimonial e sexual, em vez de combater as verdadeiras causas, já que nem em casa elas estão seguras. Entre os casos de violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico. Em 70% das ocorrências de estupro, os agressores são pessoas próximas da vítima – são chefes, pais, maridos.
O Espírito Santo, um dos piores Estados no ranking de violência contra a mulher, mostrou neste mês que está muito longe de reverter esse quadro. Se comprovadas as suspeitas de que foram assassinadas pelo marido e pelo ex, Regiane da Silva Pereira, de São Mateus, e Sandra Helena Moreira, de Cachoeiro de Itapemirim, engrossarão a triste estatística que mostra o avanço do feminicídio no Estado: foram 17 de janeiro a abril, contra 11 do mesmo período de 2018.
A visibilidade dada ao tema ajudou a impulsionar o Brasil para a criação de dispositivos como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, que reconhecem a especificidade de crimes decorrentes da violência doméstica e da discriminação de gênero. Mas as brechas ainda são fatais. Mais da metade das mulheres não denuncia o agressor ou procura ajuda, e a principal razão para o silêncio é a mesma da agressão: a misoginia, travestida no receio de ser estigmatizada, de perder o emprego ou o relacionamento. Quando vencem a barreira cultural, enfrentam a institucional. Apenas 8% dos municípios brasileiros possuem delegacias especializadas em crimes de gênero, por exemplo.
Após ser esfaqueada pelo marido no Dia das Mães, uma mulher de Vila Velha fez um desabafo pungente a este jornal: “agora ele vai ficar preso e vou poder organizar a minha vida”. A história da dona de casa, que por pouco não sobreviveu para contar sua história, mostra que o Estado precisa pavimentar um caminho menos acidentado para que as mulheres possam denunciar os crimes. Quantas vítimas ainda terão que contar apenas com a sorte?

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Como a Terra mudou em 58 anos: o que revelam as fotos icônicas das missões Apollo 8 e Artemis 2
Trégua no Irã: Trump volta a dizer que não pretende prorrogar cessar-fogo
Mercado livre de energia, ações, investimento, rede elétrica
Crise silenciosa no mercado de energia acende alerta no setor

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados