Com o Legislativo a postos, só existe um projeto político imediato para o país: a própria sobrevivência. Começa, portanto, a contagem regressiva, pois desarmar a bomba da insustentabilidade da Previdência é questão de vida ou morte, mesmo que os maiores interessados, os contribuintes, não tenham ainda a real dimensão do estrago. Não é só a aposentadoria que está em jogo, é o própria retomada do crescimento do país que ficará inviabilizada, caso se permaneça na inércia.
É importante que vozes estrategicamente ecoem no rumo de uma Reforma da Previdência que não só tenha início o mais rápido possível, mas que corte o mal pela raiz. O momento é de uma mobilização qualitativa, que assegure as prioridades. Rodrigo Maia, após confirmar a sua terceira jornada na presidência da Câmara, fez à Folha de S. Paulo uma declaração que dimensiona bem a gravidade. “Estamos em um momento que todos compreenderam que vai ter uma ruptura definitiva da política se esse país não voltar a crescer. Então não dá para errar o tiro da Previdência.” É parte fundamental do próprio processo de ressignificação da classe política. O novo Congresso terá a chance de mostrar a que veio.
Deve-se atingir com precisão privilégios e anomalias que corroem o sistema como um câncer. A redução do déficit previdenciário busca a equidade, com mudanças nas regras que principalmente eliminem essas distorções que beneficiam apenas alguns grupos, sempre prontos para gritar quando contrariados.
E é sempre bom lembrar que a reforma não pretende acabar com a aposentadoria, pelo contrário, é o que a garantirá, alocando o gasto previdenciário de acordo com as demandas demográficas atuais. O país envelheceu, as famílias encolheram. É preciso lidar com essa nova composição de Brasil, ou o sistema implodirá. O Congresso precisa abraçar a causa, envolvendo todas as esferas. É a grande demanda nacional, que depende também do comprometimento dos governos estaduais, sob o risco de quebradeira generalizada.
A ansiedade do setor produtivo com a materialização da reforma é justificável, o país precisa voltar a ser atraente a investidores, que não se seduzem por economias desajustadas. Anda faltando confiança. Cabe à sociedade compreender que a reforma proporcionará um crescimento sustentável. É, hoje, o único caminho para a justiça social.