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Preço do aço

Siderurgia: 'Com o mercado americano fechado, será um banho de sangue'

Para representante da indústria siderúrgica, o Brasil deveria ficar fora da taxação, já que exporta, em sua maioria, produtos semiacabados
Redação de A Gazeta

Publicado em 

10 mar 2018 às 01:30

Publicado em 10 de Março de 2018 às 01:30

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar o aço que chega ao país em 25% vai ter consequências duras à economia brasileira, que luta para recuperar ritmo e empregos após uma crise econômica sem precedentes. Incluído nas restrições impostas, só resta ao Brasil recorrer à Organização Mundial do Comércio contra o protecionismo norte-americano, opina o presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, Alexandre Lyra. Confira a seguir um trecho da entrevista com ele.
Qual é o impacto para o Brasil da taxação do aço pelos EUA?
No ano passado, nós exportamos 15 milhões de toneladas de aço e um terço disso foi para o mercado americano. É um mercado importante, e se não conseguirmos chegar a ele, a indústria vai tentar vender em outras partes do mundo. A dificuldade é que todos os impactados vão querer vender em outros mercados. A consequência é redução de preços. Se não conseguirmos vender para outros mercados, a indústria siderúrgica vai ter que se adaptar, reduzir capacidade, como aconteceu em 2015 e 2016, que foram anos terríveis. Quando estava comecando a recuperação, podemos dar passos para trás.
Quem são os principais concorrentes do Brasil na exportação de aço?
O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os EUA no mundo, com 4,7 milhões de toneladas, e o Canadá exporta 5,7 milhões de toneladas para os EUA. E tem a China. Temos hoje um excesso de aço no mundo de 735 milhões de toneladas. Desse total, 400 milhões de toneladas de capacidade ociosa está na China, mais de 50%. Com o mercado americano fechado, nos outros mercados acessíveis será um banho de sangue nos preços do aço.
Há algum argumento para que o Brasil fique de fora dessa taxação?
Sim. Quando fomos aos EUA em uma missão em agosto do ano passado, já colocávamos que o Brasil deveria ser olhado de uma forma diferenciada com relação a nossas exportações, porque o Brasil basicamente exporta produtos semiacabados. Das exportações do Brasil para os EUA, 3,8 milhões, ou 81%, eram produtos semiacabados. A ArcelorMittal, por exemplo, boa parte do que exporta são placas, que são reprocessadas nos países de destino, como os Estados Unidos. A placa da siderúrgica de Tubarão vai virar bobina quente, e depois matéria-prima para veículos e carrocerias. Outro tipo de material é billet, que chamamos de tarugo, que vai ser fornecida para a indústria automobilística nos EUA. São laminados que abastecem a indústria de veículos, de óleo e gás e de equipamentos deles.
Como essa medida pode impactar nos empregos na indústria do aço?
Hoje, nossas usinas operam com nível de capacidade baixo, com 60% a 65%, quando o ideal é operar com 80%. Isso contando com a exportação para os EUA. Se não conseguirmos exportar, não vai restar outra alternativa que não outra rodada de adaptação. Agora que a indústria estava se recuperando, vamos passar de novo por restrição de investimentos e redução de quadros.
A recuperação econômica do Brasil não supre essa lacuna?
A nossa projeção para 2018, de vendas no mercado interno em relação a 2017, é crescer 4%. A previsão é sair de 2017 com vendas de quase 17 milhões de toneladas no mercado interno e vender 17,4 milhões este ao. Então, vamos aumentar de 400 a 500 toneladas no mercado interno, e o que perdemos nos EUA é quase 5 milhões. Nem de longe vai compensar. Já chegamos a vender 24 milhões de toneladas no mercado interno em 2013. Com a crise, esse número caiu muito e a saída da indústria para manter o mínimo de ocupação foram as exportações. Então, essa medida do Trump vai prejudicar a recuperação da indústria no Brasil.
O que o país pode fazer para reverter essa situação?
Estivemos na semana passada em Washington acompanhando o ministro (da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), Marcos Jorge de Lima, e ele teve uma reunião com o equivalente dele nos EUA, o secretário de comércio de lá. O ministro repetiu essa argumentação e lembrou que o Brasil é um grande importador de carvão mineral para as indústrias siderúrgicas. No Espírito Santo, o mesmo porto que a ArcelorMittal usa para exportar produtos de aço, ela usa para importar carvão mineral. E boa parte vem dos EUA. O mesmo acontece com outras empresas. Em 2017, o Brasil comprou US$ 1 bilhão em carvão mineral. A gente usa o carvão, fabrica o aço semiacabado e reexporta para os EUA, onde será reprocessado. As nossas cadeias são complementares. A mensagem deles é que, caso o Brasil fosse impactado, sempre teria a possibilidade de recorrer. Só vai restar ao Brasil ir à OMC.
 

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