Publicado em 23 de março de 2025 às 09:24
Para ampliar a nova faixa de famílias atendidas pelo Minha Casa, Minha Vida, o governo Lula (PT) vai aumentar o valor máximo de imóveis que podem ser financiados pelo programa habitacional, de R$ 350 mil para R$ 500 mil.>
A medida faz parte da criação da faixa 4 do programa, destinada à classe média. A renda familiar para se enquadrar na nova modalidade será de R$ 8.000 a R$ 12 mil mensais.>
Os juros na nova faixa serão de cerca de 10% ao ano, segundo integrantes do governo que participam das discussões da medida. Essa taxa é menor do que as praticadas no mercado, mas maior do que nos grupos de renda mais baixa atendidos pelo programa habitacional, que vão de 4% a 8,16%.>
Os recursos para a criação da faixa no programa habitacional deverão sair do Fundo Social do Pré-Sal (R$ 15 bilhões) e da Caixa Econômica (R$ 5 bilhões).>
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Atualmente, o Minha Casa, Minha Vida tem três faixas, e o teto para o preço do imóvel comprado é de R$ 350 mil. A faixa 1 é subsidiada com recursos do Orçamento e se destina a famílias de baixa renda. Nas faixas 2 e 3, os juros são mais baixos do que os cobrados no mercado, e o dinheiro vem do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).>
A ampliação desses segmentos é uma promessa de Lula desde 2023, que queria estender o acesso do programa à classe média. A ideia é anunciar a medida em abril, depois que o presidente voltar de uma viagem ao Japão e ao Vietnã.>
No mercado imobiliário, a compra de imóveis financiados pela classe média enfrenta um gargalo diante da escassez de recursos da poupança, uma das principais fontes de financiamento barato para o setor.>
No ano passado, a Caixa Econômica Federal, maior financiadora de imóveis no Brasil, teve que endurecer as regras de suas linhas de crédito, diante do risco de os recursos acabarem.>
Neste ano, a instituição deve manter em cerca de R$ 60 bilhões o orçamento para empréstimos com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), mas decidiu estabelecer internamente um cronograma mensal para a liberação dos valores.>
Há pouco mais de uma semana, o governo enviou ao relator do Orçamento um ofício pedindo o remanejamento de R$ 15 bilhões em receitas financeiras do Fundo Social para o financiamento de operações do Minha Casa, Minha Vida. A medida abriu o caminho para a criação da nova faixa no programa.>
As mudanças no Minha Casa, Minha Vida devem incluir também uma linha de crédito para famílias reformarem a casa. A ideia foi citada por Lula durante um evento em Sorocaba (SP) no dia 14. Na ocasião, o presidente afirmou que o governo ajudaria quem quisesse fazer "um puxadinho, um banheiro, um quartinho a mais para a filha ou alguma coisa a mais na garagem".>
A criação da nova faixa no Minha Casa, Minha Vida vem em um momento de queda popularidade do presidente, inclusive no eleitorado de classe média.>
Como as linhas do programa têm taxas de juros reduzidas, a maior abrangência daria um alívio significativo para essas famílias, com efeito indireto sobre aquelas que ganham acima de R$ 12 mil mensais, uma vez que a disputa pelos recursos da poupança ficaria menos acirrada.>
Outra medida nesse sentido foi o uso do FGTS para garantir empréstimos consignados de empregados na iniciativa privada.>
A modalidade entrou em vigor nesta sexta-feira (21) e teve 1,58 milhão de pedidos de empréstimo consignado às instituições financeiras até as 18h.>
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