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Não era o melhor para o Brasil, diz ministra sobre aumento salarial

Presidente do STF diz que perdeu na votação, mas faz parte da democracia

Publicado em 09 de Agosto de 2018 às 15:56

Publicado em 

09 ago 2018 às 15:56
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, lamentou a decisão do tribunal que , por 7 x 4 votos, aprovou proposta de aumento de 16,38% para os ministros e, a partir daí, para todos os juízes do país. Sem citar explicitamente o aumento autoconcedido pelos colegas de tribunal, a ministra que o resultado não foi bom para o Brasil.
O aumento, se aprovado pelo Congresso Nacional, deve ter impacto de quase R$ 1 bilhão por ano sobre os cofres públicos. A decisão do STF, que beneficia também procuradores e promotores, pode ter efeito cascata e incentivar outras categorias do serviço público a cobrar aumento do governo federal.
— Ontem perdi. Hoje provavelmente perco de novo. Mas não queria estar do lado dos vencedores. Continuo convencida de que o que venceu não era o melhor para o Brasil — afirmou a presidente do STF.
Cármen Lúcia falou sobre o assunto durante o seminário " Os Direitos humanos, os 30 anos da Constituição Federal e os 70 anos Declarações Americana e Universal", no Centro Universitário de Brasília (CEUB).
Depois de apontar uma série de conquistas históricas desde a ditadura, a ministra ressaltou a importância de se lutar por direitos, mesmo diante de eventuais derrotas, como a que teria acontecido na sessão administrativa de ontem do STF. Cármen Lúcia foi um dos quatro votos contrários a autoconcessão do aumento salarial.
— Luto apenas para mostrar que muitas vezes lutamos e não ganhamos. Mas o objetivo é lutar pelo Brasil e conviver com o diferente, com aqueles que muitas vezes vencem, faz parte da democracia — disse.
A presidente lembrou ainda de episódios lamentáveis da ditadura militar, como a falta de liberdade de pensamento, a propaganda do governo baseada no lema "Brasil, ame-o ou deixe-o" e o assassinato do jornalista Wladimir Herzog, entre outros. Cármen Lúcia recorreu à memória da estilista Zuzu Angel,que lutou até a morte em busca do filho, outra vítima da repressão para incentivar a plateia, formada por estudantes, a nunca cruzar os braços na busca por direitos e pela dignidade humana.

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