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Comércio

Investimento estrangeiro direto caiu pela metade no Brasil, diz Unctad

O país registrou no primeiro semestre a terceira maior queda de aportes no primeiro semestre, atrás apenas da Itália e dos Estados Unidos

Publicado em 28 de Outubro de 2020 às 14:52

Redação de A Gazeta

Publicado em 

28 out 2020 às 14:52
Economia, crise e desenvolvimento
Economia, crise e desenvolvimento Crédito: Freepik
O investimento estrangeiro direto caiu praticamente pela metade no Brasil no primeiro semestre de 2020, segundo a Unctad (sigla em inglês para Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).
Os aportes internacionais somaram U$ 18 bilhões (R$ 103 bilhões) na primeira metade do ano, recuo de 48% em relação a igual período de 2019, impactados pela pandemia e pela paralisação do programa de privatizações lançado pelo governo brasileiro no ano passado, conforme a entidade intergovernamental ligada à ONU (Organização das Nações Unidas).
O investimento estrangeiro direto é voltado para o longo prazo, diferentemente do investimento no mercado de capitais, que visa ganhos num prazo mais curto.
Ele inclui, por exemplo, a compra por estrangeiros de participações significativas em empresas nacionais, a abertura de filiais de multinacionais em território brasileiro e investimentos na construção de fábricas ou em obras de infraestrutura.
A queda do investimento estrangeiro direto no Brasil foi superior à registrada na América Latina e Caribe como um todo (-25%). Na região, Chile (67%) e México (5%) tiveram aumento da entrada de recursos, enquanto Colômbia (-34%), Argentina (-40%) e Peru (-72%) registraram quedas.
Em todo o mundo, os fluxos de investimento direto somaram US$ 399 bilhões no primeiro semestre, queda de 49% em comparação com os mesmos meses de 2019, com recuo maior nos países desenvolvidos (-75%) do que naqueles em desenvolvimento (-16%).
Entre os países que mais receberam aportes no ano passado, a maiores quedas esse ano foram registradas na Itália (-74%), Estados Unidos (-61%), Brasil (-48%), Austrália (-40%), Canadá (-32%), Índia (-29%), França (-25%) e China (-4%). Na outra ponta, México (5%) e Alemanha (15%) foram os únicos desse grupo a registrar aumento da entrada de recursos.
"Com a pandemia, medidas como confinamento social e bloqueios atrasaram ou cancelaram projetos de investimento. Além disso, as perspectivas de uma recessão profunda levaram empresas multinacionais a reavaliar ações", observa a Unctad, em comunicado.
"É mais drástico do que se esperava, principalmente nas economias desenvolvidas", observou James Zhan, diretor de investimentos e empresas da Unctad, também em comunicado.
"As economias em desenvolvimento resistiram à tempestade relativamente melhor na primeira metade do ano e o panorama permanece altamente incerto."
Apesar de o Brasil ter registrado a terceira maior queda no investimento estrangeiro direto no primeiro semestre, a Unctad avalia que as perspectivas são melhores para a segunda metade do ano.
"Os fluxos devem se recuperar moderadamente no segundo semestre, à medida em que a venda de ativos for retomada e um novo plano de infraestrutura seja lançado", escreve a entidade, em relatório.
Globalmente, a Unctad manteve sua projeção de uma queda de 30% a 40% nos fluxos de investimento estrangeiro direto em 2020.
"Os fluxos dependerão da duração da crise de saúde e da eficácia das intervenções políticas para mitigar os efeitos econômicos da pandemia", observou a entidade. "Os riscos geopolíticos continuam aumentando a incerteza."

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