Publicado em 25 de abril de 2025 às 17:10
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo federal só adotou medidas para conter o aumento de cobranças indevidas de benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) no início de 2024, quando o tema já era auditado pelo TCU (Tribunal de Contas da União).>
O órgão de controle realizava auditoria sobre o assunto desde o segundo semestre de 2023, a pedido do deputado federal Gustinho Ribeiro (Republicanos-SE). A auditoria acabou em abril de 2024.>
No entanto, as alterações promovidas pelo governo federal no ano passado para conter a escalada de cobranças indevidas não foram suficientes para resolver o problema.>
Em 2023, foram descontados R$ 1,3 bilhão em benefícios pagos pelo INSS. Em 2024, o valor saltou para R$ 2,6 bilhões.>
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Nota do Ministério da Previdência, ao qual o INSS é ligado, lista medidas adotadas pela atual gestão para conter a escalada de descontos indevidos.>
A primeira é de janeiro de 2024 e consiste em divulgar "no site oficial e redes sociais como aposentados e pensionistas podem pedir bloqueio de descontos não reconhecidos no contracheque".>
Em março vem a primeira medida burocrática: a publicação de uma Instrução Normativa exigindo assinatura eletrônica avançada e biometria para novos contratos.>
A falta de biometria para autorizações foi informada pelo INSS ao TCU em novembro de 2023. O uso da biometria para liberação de empréstimos consignados já existia desde abril de 2023 e entrou em pleno funcionamento para os descontos associativos em fevereiro deste ano.>
"Essa fragilidade possibilita a ocorrência de descontos indevidos e solicitados com má-fé, além de dificultar a defesa do segurado e a restituição de valores já descontados indevidamente", apontou o órgão de controle.>
A Instrução Normativa trouxe também punições para entidades que realizassem cobranças indevidas. Sobre isso, o TCU afirmou que a medida só seria eficaz caso o INSS implementasse a avaliação periódica dos benefícios concedidos.>
O alerta foi feito porque durante a auditoria, o INSS informou ao TCU que a divisão responsável pela área era composta por um chefe e dois servidores, "quantitativo notadamente insuficiente para proceder, em conjunto com as demais competências da divisão, às inúmeras conferências documentais que decorreriam da aplicação literal da Instrução Normativa".>
No mês seguinte, em abril, prossegue a pasta, "foi estruturada a implantação da biometria e fatores de segurança extras para liberação do desconto no benefício".>
Na sua defesa, o Ministério da Previdência aponta que a maioria dos acordos com entidades foram feitos em gestões passadas.>
"Das onze entidades investigadas pela CGU (Controladoria-Geral da União), somente uma teve acordo assinado em 2023. As demais são de 1994, 2014, 2017 (2), 2021 e 2022 (5). Como é possível observar, esses descontos vinham ocorrendo em governos anteriores", aponta a pasta.>
A investigação da Polícia Federal e da CGU na operação Sem Desconto calcula que entre 2019 e 2024 foram descontados R$ 6,3 bilhões em benefícios previdenciários -entre valores legais e ilegais-, que levaram ao afastamento de quatro servidores públicos federais e à demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. A desconfiança em relação a ele seria de omissão em atuar sobre o assunto.>
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