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Greve dos caminhoneiros

Empresas de marketing por trás de fake news

WhatsApp é usado para coletar dados e perfil de caminhoneiros

Publicado em 30 de Maio de 2018 às 02:01

Redação de A Gazeta

Publicado em 

30 mai 2018 às 02:01
Protesto na Fernando Ferrari Crédito: Vitor Jubini
No WhatsApp, grupos de caminhoneiros e de informações sobre a greve se transformaram em espaços para troca de vídeos, fotos e montagens políticas e para disseminação de fake news. Por trás das “informações” compartilhadas estão as empresas de marketing de guerrilha, segundo o jornalista Pedro Doria, especialista em mídia digital.
Infiltrado nesses espaços, Doria revela que o interesse das companhias responsáveis em criar o conteúdo é a coleta de dados dos usuários, traçando o perfil político de cada um com a intenção de ofertar esse banco de dados para quem vai lançar candidatura nas eleições deste ano.
São grupos cheios de membros, porém, em média, com cinco pessoas postando imagens, áudios e falsas notícias. “Os grupos funcionam como se fossem veículos de comunicação. A maior parte está consumindo passivamente esse material sem criticar. São pessoas que estão ali para se informar”, diz ao acrescentar que o material não é feito pelos manifestantes.
“É fácil perceber que os caminhoneiros que estão nas estradas não estão editando vídeos, fotos, fazendo montagens com a foto do presidente Temer. Quem faz são pessoas que trabalham 24 horas para produzir e distribuir esse tipo de informação. De coisas engraçadas, que defendem um ponto de vista, a fake news”.
Doria conta que nos grupos dos quais ele participava havia uma expectativa entre os usuários para a queda do governo Temer. “São pessoas de extrema direita, que defendem a fictícia intervenção militar constitucional. De domingo até amanhã de hoje (ontem), o mote principal das conversas era sobre os generais chegando a Brasília para assumir o governo”, revela.
Segundo o especialista, a intenção dos criadores das fake news não era só manter os caminhoneiros mobilizados como também provocar uma insurgência, provocar um novo 2013.
“BURROS”
“O interessante é como eles chamam de ‘burros’ as pessoas que ficam nas filas para abastecer. Para os membros desses grupos, esses consumidores são manipulados pelo governo e pela mídia. Eles ainda acreditam que vão causar um levante popular”.
Uma das características dos grupos de WhatsApp envolvidos com a greve é o envio constante de convites para participação em outros grupos. “Essas empresas de marketing de guerrilha são parasitas. Elas sabem que, ao apresentar uma ‘notícia grande’, a audiência aumenta, pois todo mundo está interessado em informação. Pipocam o tempo todo convites para participar de outros grupos. Enquanto isso, essas empresas vão produzindo conteúdo fake para manter essas pessoas sempre ligadas”, afirma o pesquisador.
Mesmo que sejam desativados, esse grupos podem ainda render frutos eleitorais. “Se o objetivo inicial era construir redes e tornar essa crise ainda pior, quem está criando esses espaços também está montando um banco de dados bastante grande, com a linha política de cada um. Sabe que os usuários têm certa proatividade, que vão atrás das notícias. É provável que fake news nas eleições sejam disseminadas para esses telefones, inclusive com boatos regionais.”
MANIFESTANTES FLERTAM COM INTERVENÇÃO
Passados os sete dias e seis horas que supostamente dariam o direito ao Exército assumir o poder, a ficha dos caminhoneiros que pediam intervenção militar começou a cair. “Cadê o Exército? O prazo acabou. Vai terminar tudo em pizza outra vez?”, questionava um participante dos grupos de WhatsApp.
Isso não significa, entretanto, que eles desistiram da batalha. Além de iniciarem um abaixo assinado a favor da intervenção, eles passaram a focar em esforços para o presidente Michel Temer renunciar. Nos grupos da categoria, a estratégia agora é tentar incluir a população nos protestos, argumentando que essa não é uma luta só dos caminhoneiros, mas de todo o país. Os intervencionistas são apenas um grupo entre outros três que se infiltraram na paralisação dos caminhoneiros. Existem também o “Fora Temer” e o “Lula livre”.
O chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Ademir Sobrinho, disse, na entrevista coletiva sobre balanço das ações de desmobilização da paralisação dos caminhoneiros, que “não está preocupado” com mobilizações pedindo a intervenção de militares no país. “Nós estamos preocupados em fazer o Brasil andar”, declarou ele, ao ser perguntado como recebia estes pedidos de intervenção. “Não temos nenhuma concordância com isso. Seguimos o que está na Constituição”, declarou ele. “Democracia”, resumiu.
Repetindo o que afirmou, no dia anterior, o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, o almirante Ademir Sobrinho lembrou que “as pessoas são livres para se manifestar como quiserem”. (Agência Estado)

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