Publicado em 19 de junho de 2023 às 19:25
SÃO PAULO - O dólar voltou a cair nesta segunda-feira (19) e atingiu seu menor patamar desde maio de 2022, com a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que vai decidir a nova taxa básica de juros do Brasil na quarta (21), no radar dos investidores. A moeda americana fechou o dia em queda de 0,95%, cotada a R$ 4,776.>
Já a Bolsa brasileira retomou sua trajetória e subiu 0,92%, fechando a 119.857, seu melhor patamar desde maio do ano passado, após uma nova melhora nas projeções de inflação no boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda (19), e também na esteira da próxima reunião do Copom.>
As projeções para a inflação em 2023 de analistas consultados pelo BC foram de 5,42%, na semana passada, para 5,12%, em mais um sinal de melhora no ambiente econômico do Brasil, mostrou o boletim Focus nesta segunda (19).>
Além disso, os especialistas agora preveem que o primeiro corte da Selic acontecerá em agosto, uma antecipação ante o consenso anterior, de que a queda dos juros seria iniciada apenas em setembro. Os analistas seguem acreditando, porém, que a Selic deve ser mantida em 13,75% na quarta-feira.>
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O dólar foi pressionado na semana passada pela decisão de política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), que promoveu uma pausa em sua escalada de juros iniciada em março de 2022. A moeda americana tende a se beneficiar de juros altos no país, já que a renda fixa dos EUA torna-se mais atrativa para recursos estrangeiros.>
Juros mais baixos no Brasil, então, colocariam pressão negativa sobre real ao reduzir a rentabilidade do mercado de renda fixa brasileiro, e uma antecipação do primeiro corte da Selic teria esse efeito.>
Estrategistas do Goldman Sachs disseram em relatório recente, porém, que os diferenciais de juros brasileiros devem continuar favoráveis ao real mesmo quando a redução da Selic for iniciada. Isso porque, com a diminuição da inflação no Brasil, as taxas de juros reais (que descontam o IPCA) permaneceriam em níveis altos, o que ainda manteria os fluxos da renda fixa brasileira.>
"Embora uma pequena retração seja certamente possível, achamos que o dólar ainda tem espaço para uma tendência de baixa", completou o banco no documento.>
O Goldman prevê que o dólar estará a R$ 4,40 no fim de 2023, ante R$ 4,85 em sua última projeção.>
Além disso, o real foi favorecido nesta segunda (19) pelo dia de feriado nos Estados Unidos, que reduz o movimento financeiro global, como aponta Mariane Vas, coordenadora de economia da plataforma de investimentos Gorila.>
Ela destaca, porém, a queda consistente do dólar nas últimas semanas pela melhora nas projeções para a economia do Brasil.>
"É nítido um otimismo com o crescimento econômico, tanto pela recente sinalização de possibilidade de aumento do grau de investimento do país, quanto pelas revisões das estimativas para o crescimento do PIB", diz Vas.>
A economista também cita que as crescentes reduções das estimativas de inflação aumentam os níveis de juros reais e, consequentemente, o interesse nos títulos brasileiros.>
Nos mercados futuros, os juros para 2024 e 2025 ficaram estáveis em 13,03% e 13,13%, respectivamente. Os com vencimento em 2026, no entanto, subiram de 10,50% para 10,52%.>
No exterior, a moeda americana registrava leves ganhos contra uma cesta de divisas fortes, em dia de feriado nos Estados Unidos.>
O Ibovespa, por sua vez, registrou alta e fechou próximo aos 120 mil pontos, também apoiado pelas expectativas de melhora dos indicadores econômicos no Brasil e, em especial, pelas projeções de corte na Selic.>
Apoiaram o índice altas de Petrobras (2,63%), B3 (1,16%) e Localiza (3,60%), que ficaram entre as mais negociadas da sessão. Os maiores ganhos do dia foram da JBS, que subiu 3,57% após anunciar um investimento de R$ 800 milhões para aumentar sua capacidade produtiva em Mato Grosso.>
Na outra ponta, as ações da Vale pressionaram a Bolsa com queda de 0,21%, em dia de fraqueza nos contratos futuros do minério de ferro. Perdas de CVC (4,66%), Natura (2,37%) e Alpargatas (2,06%), que acumulam valorização de pregões anteriores, também puxaram o Ibovespa para baixo.>
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