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Carros de luxo de Eike Batista são leiloados para revendedoras

Carros de luxo de Eike Batista são leiloados para revendedoras

O leilão tem como objetivo impedir a deterioração dos bens do empresário. O valor será depositado numa conta da Justiça e será usado no pagamento de eventuais multas em caso de condenação definitiva

Publicado em 11 de julho de 2019 às 17:56

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Lamborghini Aventador, arrematada por R$ 1,409 milhão em leilão. (Divulgação/Polícia Federal)

A Lamborghini Aventador e o Porsche Cayenne do empresário Eike Batista, condenado na Operação Lava Jato, foram arrematados por empresas de comercialização de carros de luxo.

A Paíto Motors, de Araras (SP), comprou na terça-feira (09) a Lamborghini por R$ 1,409 milhão. Já o Porsche foi arrematado pela concessionária Ago, que fica na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, por R$ 236,9 mil.

Uma lancha de Eike também foi arrematada na última terça. A "Spirit of Brazil" foi vendida por R$ 1,921 milhão para a empresa EMM Participações.

Todos os bens estavam bloqueados pela Justiça desde 2015, quando Eike passou a ser alvo de operações policiais sob suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas durante a derrocada das empresas X.

O leilão foi feito por autorização da juíza Rosália Monteiro Figueira, da 3ª Vara Federal Criminal. Ela é responsável pela ação penal contra Eike por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O processo tem como alvos a evolução patrimonial, além de negociações de ações em Bolsa, doações de bens e remessas ao exterior.

O certame foi organizado a pedido do próprio empresário em junho de 2017. No início daquele ano ele foi preso na Operação Eficiência, sob acusação de pagar US$ 16,5 milhões ao ex-governador Sérgio Cabral. Eike foi condenado no caso a 30 anos de prisão pelo juiz Marcelo Bretas.

O leilão tem como objetivo impedir a deterioração dos bens do empresário. O valor será depositado numa conta da Justiça e será usado no pagamento de eventuais multas em caso de condenação definitiva. Já foram obtidos quase R$ 18 milhões com as vendas.

O Porsche vendido no dia 2 foi inclusive pivô de uma polêmica com o juiz Flávio Roberto de Souza, à época titular da 3ª Vara e responsável pela apreensão dos bens de Eike. O magistrado levou o veículo para casa e foi flagrado passeando com o carro –o juiz também havia deixado um piano do empresário na sala de sua casa.

Souza foi condenado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, a 7 anos de reclusão pelo episódio. O magistrado recorre da decisão.

Os valores obtidos pela 3ª Vara na Lamborghini e na lancha são menores do que o que seria exigido pela 7ª Vara, do juiz Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro. O carro seria oferecido na próxima quinta-feira (18) por R$ 1,8 milhão e a lancha, por R$ 2,8 milhões.

A Lamborghini já havia sido oferecida no dia 2 por R$ 1,76 milhões e a lancha, por R$ 2,4 milhões sem interessados.

No fim do ano passado, um iate do empresário já havia sido vendido por R$ 14,4 milhões. A embarcação tem capacidade para 21 passageiros e conta com quatro quartos, dos quais duas suítes, e garagem para dois jet skis.

Em 2012, no auge da operação de seu grupo de empresas de petróleo, mineração e energia, Eike teve uma fortuna calculada em US$ 30 bilhões. Na época ele foi apontado como o sétimo homem mais rico do mundo pela revista Forbes.

No ano seguinte, o império começou a ruir quando as estimativas de produção da petroleira OGX não se confirmaram. O valor das ações das empresas do grupo listadas na bolsa passaram a cair fortemente, levando o grupo EBX à derrocada em menos de um ano.

Eike tornou-se o primeiro integrante da lista dos dez mais ricos da Forbes a ser preso desde a prisão do traficante Pablo Escobar, em 1991.

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