O salário bateu na conta, mas não foi suficiente para quitar todas as despesas. Ainda há muita coisa para pagar e o cheque especial parece tentador. Está ali disponível para ser usado sem qualquer dificuldade. Junto com o pagamento mínimo do cartão de crédito, vai aliviar a situação neste período de sufoco financeiro. Ufa!
Mas as escolhas por esses créditos, fáceis, porém caros, são apenas o início da jornada rumo ao endividamento excessivo. Quem faz essas opções não sabe que esses paliativos podem ter efeito rebote, levando à inadimplência. Depois de ficar com o nome sujo, se livrar dessa saga é uma tarefa árdua.
Especialistas alertam sobre a importância de o consumidor buscar modalidades de crédito mais em conta. Eles deixam um alerta: se o dinheiro é liberado sem burocracia pelo agente financeiro, por trás de tanta facilidade está escondida uma taxa de juros, muitas vezes, exorbitante.
Entre os vilões do crédito está o cheque especial. Segundo estudo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), em janeiro passado, o produto teve índice médio de 11,74% ao mês, 278,88% ao ano. Prático de usar, é o crédito mais caro do país.
Para o diretor-executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel Oliveira, para blindar as finanças, o ideal é nunca ficar com o saldo negativo na conta-corrente. Mas se não tiver jeito, que seja eventualmente e num período bem curto.
“Gosto de comparar o uso do cheque especial com a necessidade de uma pessoa pegar um táxi. Se ela precisa desse meio de transporte para ir do trabalho para casa, podemos dizer que é algo viável. Mas se for viajar para um outro Estado, existem serviços mais baratos, como o ônibus, por exemplo”, exemplifica.
O cartão de crédito, que antes era o vilão das finanças com juros acima de 400% ao ano, ficou com a segunda maior taxa média, 11,52% ao mês, aproximadamente 270,03% ao ano, em janeiro. Essa queda tem relação com mudanças recentes feitas pelo Banco Central. Embora a taxa de juros atual seja quase metade da anterior, o serviço continua exigindo bastante cuidado de quem usa.
Diante dos altos valores, o ideal mesmo, na visão do professor de Economia e Finanças da Multivix Jonair Pereira da Costa é juntar dinheiro para pagar à vista, sem necessidade de recorrer às instituições financeiras. “As pessoas se endividam porque não guardam recursos para consumir lá na frente. Sugiro as famílias pouparem 30% do que ganham para realizar sonhos e montar uma reserva de emergência.”
Como nem todos conseguem alcançar esse nível de organização, os consultores de finanças indicam ao cliente, antes de assinar o contrato de um financiamento ou de um empréstimo, avaliar se terá condições de honrar com o compromisso. A dica vale, inclusive, para os famosos parcelamentos sem juros.
“Quando alguém pode pegar crédito? A resposta é simples: quando a parcela couber no seu orçamento. Se insistir, a pessoa corre risco de ficar inadimplente e assim perder o acesso ao crédito”, explica a economista e professora da Fucape Arilda Teixeira ao dizer que hoje o consignado ainda é a opção mais barata de financiamento, com taxas de juros médias de 24% ao ano. A ferramenta, no entanto, só tem aplicação para os trabalhadores do mercado formal, aposentados e servidores públicos.
Para o restante dos consumidores, a alternativa menos penosa é o crédito pessoal. Mas atenção! Esses produtos continuam caros. Nos bancos, as taxas de juros estão em média 55% ao ano. Já nas financeiras, alcançam 120% ao ano.
EMPRÉSTIMOS: AMIGOS OU INIMIGOS DAS FINANÇAS
Cheque especial
Certo é nunca usar, mas que seja só numa emergência
Cheque especial e empréstimo caro são sinônimos. Então, corra, mas corra desse crédito. Com taxas superiores a 11% ao mês, não dá para viver pendurado nesse serviço. Se realmente precisar, que seja por um tempo muito, mas muito curto. Ainda assim não vale usar o cheque especial para pagar o cartão de crédito. O primeiro está ainda mais caro que o segundo. Pense bem. Se precisa do saldo para pagar as contas, busque empréstimos mais baratos, como o consignado ou o empréstimo pessoal. Um erro comum de quem usa o cheque especial é contar com o limite como se este fizesse parte da renda mensal.
Cartão de crédito
Parcelamento sem juros também é arriscado
Cartão de crédito pode ser um bom aliado de quem sabe usá-lo. Algumas pessoas parcelam compras sem juros no cartão, principalmente quando não ganham desconto ao pagar à vista, no dinheiro. Mas outras dividem no cartão por não terem o dinheiro para a compra na ocasião. O problema é que não sabem se terão como pagar as prestações. Assim, acabam caindo no crédito rotativo do cartão, que tem juros muito altos. Uma saída, se não tiver dinheiro para liquidar a dívida, é buscar o consignado, o empréstimo pessoal. Vale ainda ligar para a operadora e tentar um parcelamento mais barato.
Empréstimo pessoal
Escolha o mais barato
Se não é um trabalhador de carteira assinada, aposentado nem servidor público, o consumidor pode acessar ao crédito pessoal. É uma das opções mais baratas, depois do consignado. Pode ser uma alternativa para quem está devendo o cartão ou cheque especial trocar por uma dívida mais barata. Mas cuidado com os juros, principalmente nas financeiras. Nesses locais, as taxas costumam ser bem altas.
Crédito consignado
É o mais barato, mas também endivida
É o tipo de empréstimo mais indicado para quem é servidor, aposentado ou trabalhador de carteira assinada por ter taxas de juros mais baixas. Quem tem dívidas mais caras no cartão ou no cheque especial pode usar o consignado para liquidá-las. Mas comprometer 30% da renda com esse crédito pode sufocar as finanças se a pessoa já tiver parte do orçamento comprometido com mais dívidas.