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Coronavírus

Banco Central relata preocupação com fuga de capital estrangeiro durante crise

Presidente da instituição, Roberto Campos Neto, mostrou preocupação em razão da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus

Publicado em 14 de Maio de 2020 às 17:07

Redação de A Gazeta

Publicado em 

14 mai 2020 às 17:07
Fachada do Banco Central do Brasil
Fachada do Banco Central do Brasil Crédito: Divulgação
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mostrou preocupação com a saída de capitais estrangeiros do país em razão da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus.
A declaração foi feita durante reunião com o setor agrícola nesta quinta-feira (14),
Segundo apresentação feita por Campos Neto aos participantes, publicada no site do BC, o Brasil é um dos mais afetados com a fuga de investidores a ativos mais seguros durante a crise.
Em consequência, o real foi a moeda mais desvalorizada entre economias desenvolvidas e emergentes desde o início do ano, com queda de 31,9%.
Quando há crise, investidores buscam ativos mais seguros, com baixa volatilidade, e aplicam em títulos americanos.
Assim, as outras moedas, principalmente de países emergentes, tendem a se desvalorizar.
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e representantes do setor agrícola participaram da reunião por videoconferência, organizada pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
Campos Neto ressaltou também que o crescimento do risco já se reflete no mercado de juros.
Em gráfico, mostrou que o CDS (Credit Default Swap) brasileiro aumentou em 232,8 pontos desde o início do ano. O indicador é um termômetro nível de risco dos títulos do país.
O cenário apresentado pelo presidente do BC aos representantes do setor agrícola é de forte recessão. Ele destacou que o mercado já prevê queda de mais de 4% no PIB (Produto Interno Bruto).
O governo nesta quarta-feira (13) revisou o PIB, com queda de 4,7% neste ano. Antes, a previsão era de alta de 0,02%.
Em contrapartida, Campos Neto ressaltou que o Brasil foi o país que mais injetou liquidez no sistema financeiro, com 16,7% do PIB, e ficou em segundo lugar em suporte ao crédito, com 16,5% do PIB, atrás da Argentina, com 18,3%.
A apresentação do presidente do BC trouxe dados de concessão de novos créditos entre 16 de março (data do endurecimento de medidas de restrição e de isolamento) e 8 de maio.
Os números mostram que dos R$ 378,1 bilhões emprestados no período, R$ 216,9 bilhões (57,36%) foram para grandes empresas.
Do total de novos financiamentos, apenas 20,2%, o equivalente a R$ 76,5 bilhões, saíram de bancos públicos.

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