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Empreendedorismo

As lições de quem errou nos negócios e deu a volta por cima

Veja histórias de quem teve que encarar o fracasso, fechar a empresa e recomeçar

Publicado em 06 de Julho de 2019 às 22:33

Diná Sanchotene

Publicado em 

06 jul 2019 às 22:33
Data: 25/06/2018 - ES - Serra - Plínio Escopelle já faliu 03 vezes antes de abrir a última empresa - Editoria: Economia Crédito: Marcelo Prest
Ter o próprio negócio é o sonho de muitos brasileiros, mas o caminho dos empresários de sucesso nem sempre foi próspero. Antes de colher os frutos de suas vitórias, eles tiveram que encarar o fracasso, fechar a empresa e tomar fôlego para recomeçar. Alguns deles chegaram a falir. E como diz a canção “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, os erros cometidos no passado ficaram para trás e serviram de aprendizado para um novo negócio.
Voltar a investir no que acreditavam ou até em ideias diferentes das iniciais pode trazer frutos recompensadores. Foi o que aconteceu com o publicitário Plínio Escopelle, de 30 anos. Ele fechou duas vezes a agência de publicidade e descontinuou outros dois projetos desde o início de sua carreira empreendedora. Hoje o jovem é sócio da Superticket, uma empresa de soluções tecnológicas que atua principalmente no ramo de entretenimento.
Ao concluir a faculdade, Plínio estruturou uma agência juntamente com um sócio. O projeto não deu certo.
“Logo depois, reabri a agência e trabalhei em home Office, o que também não foi a frente. Na mesma época, um cliente que tinha um restaurante me apresentou um projeto de tecnologia voltado para o desenvolvimento de aplicativo para eventos. Desenvolvi a ideia, mas ele desistiu do projeto no meio do caminho. Apesar disso, segui em frente. A ideia quase deu errado duas vezes. Apesar de todos esses problemas, a empresa cresceu bastante, se consolidou e temos atuação também em outros Estados”, comenta.
O empresário destaca que passou ainda a empreender em outros quatro projetos, dois deram certo e dois errado. Plínio afirma que não desistiu da agência de publicidade e que ela funciona atendendo os projetos atuais da empresa.
Para ele, um dos principais erros foi a falta de controle financeiro, ou seja, o publicitário não soube separar as finanças pessoais e da empresa. Ainda segundo Plínio, outra falta foi não estruturar bem os acordos da sociedade e dos prestadores de serviços.
“Faltou um contrato de confiabilidade das pessoas contratadas, além de maturidade. Essa foi uma experiência muito negativa. Com a imaturidade, confiei demais nas pessoas e não soube separar as coisas nem dos amigos. Todo mundo tinha acesso a tudo. É muito importante colocar tudo no papel, inclusive qual será a participação de cada um na sociedade. O sucesso não vem a curto prazo, não existe imediatismo. Empreendedorismo é construir algo que tenha a sua cara, a sua identidade e acreditar no que está fazendo. Um dos segredos é ter disposição para aguentar todas as dificuldades que vêm pelo caminho”, destaca.
A administradora e diretora da Rhopen, Cátia Horsts, de 43 anos, já havia lançado a consultoria de RH quando decidiu, junto com o marido, Fábio Medeiros, investir em lojas de roupas populares no Sul do Estado. Eles chegaram a ter 18 unidades, mas com a chegada da crise econômica e a paralisação das atividades da Samarco, o casal percebeu que era a hora de se desfazer das lojas.
“Havia investido em algo que não fazia parte da minha essência e que não me identificava. Até que percebi que poderia colocar o meu negócio principal, a Rhopen, em risco. A situação econômica do país contribuiu para a decisão. Percebi que as lojas começaram a dar prejuízo e, se continuasse, iria ficar endividada. Não cheguei a falir. Aos poucos fui fechando e vendendo os estabelecimentos até que 2016 não tinha mais ligação com o comércio”, conta a diretora.
Para Cátia, manter o foco no negócio que ela tinha certeza que dava certo e abrir mão das lojas foi uma escolha assertiva. “Mesmo que eu não tivesse a consultoria, minha decisão seria a mesma”, conclui. Segundo ela, o maior aprendizado foi a falta de afinidade com o negócio. “Para empreender, é necessário investir naquilo que faça sentido, que tenha a ver com o propósito de cada um”, finaliza.
O QUE OS EMPRESÁRIOS APRENDERAM
FAZER O QUE GOSTA
A dica é investir em algo que saiba fazer de melhor, que goste e que se identifique. Além disso, é necessário empreender naquilo que faça sentido e que tenha a ver com o propósito de vida.
CLIENTES
Antes de iniciar um negócio, a dica é avaliar se a proposta vai atrair clientes e se vai atender as necessidades deles.
AJUDA
O empreendedor pode e deve pedir ajuda sempre que sentir necessidade. É possível procurar alguém que já tem sucesso no ramo em que deseja atuar e o Sebrae.
ATUALIZAÇÃO
Outra dica é estudar muito. O empreendedor precisa tirar um tempo durante o dia para se atualizar ou até fazer um curso, por exemplo.  
DISCIPLINA
Para ter sucesso no negócio, é preciso ter muita disciplina no trabalho. É importante saber que os resultados não são imediatos.
FINANÇAS
É preciso saber separar as finanças pessoas e da empresa. A falta de controle financeiro é um dos motivos que levam os negócios não irem para frente.
Data: 26/06/2019 - ES - Vitória - André Leal, CEO da empresa de comunicação e tecnologia Resultate - Editoria: Economia Crédito: Bernardo Coutinho
Insistência mesmo após dois fracassos
O primeiro negócio do engenheiro André Leal, de 30 anos, foi aos 22 anos. Com amigos da faculdade, ele investiu em uma empresa de desenvolvimento de software e sites. Na época, eles começaram a expandir para São Paulo, perderam parte de recurso e a recuperação financeira só ocorreu um ano e meio depois.
“Corremos risco e o investimento não deu certo. Foram diversos erros que contribuíram para o fracasso. No entanto, o insucesso serviu de lição, pois aprendemos mais com os erros do que com os acertos. Acredito que o maior problema estava relacionado à gestão”, afirma.
Leal investiu novamente e hoje é CEO da Resultate, empresa de comunicação e tecnologia, com atividades em Vitória e São Paulo. Este é o terceiro negócio do empresário, mas antes ele também teve uma outra agência de publicidade que também não deu certo.
“Acredito que os fracassos anteriores foram uma sucessão de erros operacionais e de visão estratégica. Nas duas companhias anteriores, os clientes não foram afetados. Toda empresa passa por problemas e para que as coisas deem certo é necessário haver um alinhamento entre os sócios, para que todos tenham a mesma visão”, ressalta.
Léo Carraretto, de 34 anos, da Wis Educação, também está em sua terceira empresa. A carreira empreendedora do publicitário começou aos 13 anos, quando ele aprendeu a desenvolver site. No entanto, o trabalho durou apenas 11 meses. Aos 18 anos, o empresário voltou a investir, desta vez em marketing digital, negócio que durou dois anos e nove meses.
“Nos dois casos, a imaturidade foi a responsável pelos fracassos. Depois da segunda tentativa, fui trabalhar na empresa concorrente da minha porque ainda não me sentia seguro para empreender novamente. Isso me ajudou a ficar mais seguro e a ter conhecimento de gestão, de atendimento ao cliente e a modelo de negócio”, destacou.
Em 2011, Carraretto sentiu vontade de empreender novamente, criando a Wis Educação, que começou como agência de publicidade. “Comecei com cursos voltados para clientes da agência. Com o tempo, percebi que a Educação é um mercado maravilhoso. Desisti da agência e foquei neste segmento”, lembra.
Para o publicitário, seja qual for o ramo de atuação, é preciso se capacitar em diferentes áreas, até mesmo no ponto fraco. “A primeira coisa é olhar para o futuro e agir hoje. O segundo ponto é ter obsessão pelo cliente e saber o que ele quer. E o terceiro passo é estudar muito, separar algumas horas por dia para se atualizar e fazer cursos. A resiliência também é fundamental. Muita gente quer empreender e não está pronta para isso. Autoconhecimento e paciência são fundamentais”, finaliza.
ATÉ ELES ERRARAM
Henry Ford
Antes de criar a Ford, o empresário fundou a Detroit Automobile Company, que fracassou após dois anos de funcionamento. Ele conseguiu se reerguer e fundou a Ford Motor Company em 1903.
Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos chegou a declarar falência três vezes nos anos 90. Um desses fracassos foi o cassino Taj Mahal, em Atlantic City, que ele comprou em 1989. O motivo foi uma crise no mercado de imóveis, que fez o prédio perder valor.
Walt Disney
Começou com um estúdio de animação em Kansas. Com uma câmera usada, criou vídeos publicitários e curtas-metragens, até ser enganado por um distribuidor e enfrentar a falência em 1922. Em 1928, ele foi para Califórnia onde criou o Mickey Mouse.
Jorge Paulo Lemann
O empresário, dono da Ambev e de outras marcas brasileiras, é considerado um dos homens mais ricos do Brasil. O bilionário tinha 2% do capital societário da Invesco, especializa

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